Nikkei Names

Crônicas Nikkeis #3
Nomes Nikkeis: Taro, John, Juan, João?

Em gerações passadas, nomes japoneses eram comuns e serviam como um meio de identificar uma pessoa de descendência japonesa, mas na cultura contemporânea nikkei isso talvez não seja mais verdade. Os nomes são pessoais, de cunho sentimental e na maioria das vezes permanentes ... mas nem sempre.

As Crônicas Nikkeis #3 explorararam os significados, origens e as histórias ainda não contadas por trás dos nomes pessoais nikkeis.

Aceitamos o envio de histórias de junho a outubro de 2014; a votação foi encerrada em 15 de dezembro de 2014. Todas as 36 histórias (26 em inglês, uma em japonês, duas em espanhol, e oito em português) foram recebidas do Brasil, Canadá, Estados Unidos e Peru.

Muito obrigado a todos que enviaram suas histórias à série Nomes Nikkeis!

Nesta série, pedimos à nossa comunidade Nima-kai para votar nas suas histórias favoritas e ao nosso Comitê Editorial para escolher as suas favoritas. No total, cinco histórias favoritas foram selecionadas.

Aqui estão as favoritas!!

A Favorita do Comitê Editorial

PORTUGUÊS | INGLÊS | ESPANHOL | JAPONÊS

PORTUGUÊS:

Comentário de Laura Hasegawa
Tarefa dificílima escolher somente uma dentre histórias tão interessantes, que nos emocionaram e nos fizeram refletir sobre nossas raízes e a herança que nos foi transmitida.

Nossos parabéns a Cláudio Sampei, que nos encantou contando a trajetória de sua família através dos nomes japoneses, culminando com o intenso trabalho de pesquisa para a escolha do nome do herdeiro.

Queremos também destacar o relato “Sobre nomes japoneses”, de Jorge Nagao, cujo final tem um toque de humor pitoresco ao apresentar um jogo de palavras que só cabe na língua portuguesa.

INGLÊS:

Comentário de Susan Ito
Eu gostei deste artigo pelo seu senso de humor; pelo seu ponto de vista único com respeito ao significado dos nomes; e pelo nome original da narradora, “Tsutsuse”, e como sua percepção do seu “japonesismo” foi mudando ao morar no Havaí, no norte da Califórnia e, finalmente, no Japão. O artigo é cheio de surpresas—a própria autora se surpreendeu com a origem e o significado verdadeiro do seu nome quando o kanji foi examinado no Japão. Sua identidade como japonesa sofre mudanças dependendo do seu ambiente e das expectativas das pessoas à sua volta. No final, ela aprende a se sentir confortável consigo mesma, não obstante as percepções dos outros.

Comentário de Andrew Leong
O conto de Jayme Tsutsuse sobre como ela redescobriu o seu nome, o qual é narrado em estilo de mistério genealógico, quebra-cabeça, e teste de alfabetização dos ideogramas kanji, nos leva do Havaí à Califórnia e ao Japão. Gostei muito da maneira honesta de Tsususe ao narrar os diferentes estágios da deconstrução de um nome, mesmo se apenas para poder encontrar paz não na fala ou na escrita, mas em “ser”.

Comentário de Tamiko Nimura
Jayme nos proporciona um relato sobre o seu próprio nome, mas que pode ser estendido às variadas experiências daqueles com nomes nikkeis: a dificuldade com a pronúncia, a capacidade (ou falta desta) de escrever o nome em kanji, e as conexões às origens e identidades culturais. No entanto, o relato de Jayme se destaca principalmente por combinar todos esses elementos numa narrativa coesa, a qual nos oferece um insight diferente com respeito à “flexibilidade” do significado de um nome. Eu gostei especialmente da sua habilidade de descrever esta jornada através do tempo, culturas, países e locais.

Tantas narrativas maravilhosas foram enviadas em inglês. Gostaríamos então de chamar atenção para uma segunda história.

Comentário de Susan Ito
Este artigo retrata o vínculo familiar entre uma neta e seu avô japonês. Apesar de não compartilharem um idioma em comum, me senti comovida com a cena na qual ela escuta ele cantando karaokê em japonês, e pode ouvir a saudade na sua voz. Quando ela pergunta sobre a origem do seu nome do meio, Chiyoko, ele responde ao escrevê-lo em kanji. Mais tarde, ela descobre a força e a tenacidade da sua avó, usando-as como inspiração para seguir adiante durante períodos difíceis. Ela acredita que ser “filha de mil gerações” significa se inspirar nos seus antepassados e familiares ao avançar rumo ao futuro.

Comentário de Andrew Leong
Chanda Ishisaka reflete sobre a mortalidade humana e a necessidade de seguir vivendo, as vantagens e as desvantagens de um nome que quer dizer “filha de mil gerações.” Corajosa na sua descrição de difíceis emoções de pesar e árduas realizações, a história de Ishisaka comemora o que é transmitido por um nome, mas sem cair no sentimentalismo.

Comentário de Tamiko Nimura
A narrativa de Chanda explora a questão dos nomes nikkeis, levando o questionamento além de um simples “porque me deram esse nome?” Indo mais a fundo, ela pergunta: “como vou seguir adiante com o legado do meu nome?” A história é notável devido à transformação da sua narradora e sua habilidade de relatar cenas com a quantidade certa de detalhes (por exemplo, o avô cantando enka enquanto os netos assistem [o programa de TV] Wheel of Fortune (Roda da Fortuna) é uma excelente passagem). Também aprecio o fato desse relato ser relevante para diversas gerações.

ESPAÑOL:

Comentário de Javier Garcia
No caso do primeiro texto, “Minha experiência como dekassegui”, de Santos Ikeda Yoshikawa, o autor retratou a experiência de identificação (que não é a mesma coisa que identidade), a qual causa conflitos nos nikkeis, principalmente com respeito às dificuldades emocionais e sociais que necessitam encarar. Ainda assim, me sinto mais inclinado a escolher o texto de Jimmy Seiji porque acho que reflete melhor os propósitos do projeto, já que apresenta a escolha do nome como um fator cultural, como também os motivos e acasos que podem definir uma identidade, incluindo o histórico familiar. E especialmente pela sua evocação dos antepassados e das raízes do autor, ao enfocar um costume que permanece relevante mesmo com o passar do tempo e os hábitos das gerações.

Comentário de Alberto Matsumoto
Quando nossos pais escolhem um nome em japonês, sempre buscam nos kanjis pelos ideogramas que têm determinados significados, com muita esperança para o futuro mas inspirados nos seus antepassados, ou algum feito ou personagem importante da história. Sem dúvida, o nome “Seiji” deve conter certos kanjis que refletem os desejos dos avós. Havia países como a Argentina e outros que por lei não permitiam que se dessem nomes estrangeiros, apenas sobrenomes. Por isso, apesar de alguns desde criança terem sentido um pouco de vergonha, é muito importante ter nomes japoneses escolhidos pelos seus avós ou pais, e que além disso se encontram registrados em certidões oficiais de nascimento.

É um artigo no qual o autor se lembra desta história e apesar de não saber ao certo quais são os kanjis do seu nome, essa questão é o que motivou a relembrar seus antepassados e suas raízes. Mesmo que ele nunca se torne presidente, o fato dele honrar o bom nome da sua família é mais do que suficiente. Pois eles sentirão orgulho do autor.

JAPONÊS:

Comentário de Yukikazu Nagashima
O nome, na maioria das vezes, acompanha a pessoa pela vida inteira. Nesse sentido, pode-se dizer que o nome exerce influência na formação da personalidade. Nome esse que os pais escolhem na esperança de que seja o melhor.

Sob esse ponto de vista foi que li o artigo de Satomi Takano Kitahara. De qualquer forma, por eu residir em outro país, chamou-me a atenção porque praticamente desconheço as dificuldades por que passaram os nikkeis do Brasil. Mas, primeiramente, não posso deixar de sentir empatia pelas pessoas que tiveram seu precioso nome ser alvo de piadas. O nome Kumiko, por exemplo, creio que os pais escolheram-no desejando que a filha permaneça bela para sempre. Agora, que esse nome seja alvo de piadas relacionadas a ânus, isto é algo inadmissível. Conforme a autora, sem dúvida, é uma “crueldade”.

A estratégia usada pelos imigrantes de pôr um nome brasileiro junto com o nome japonês é também um aspecto bastante interessante. “Chamar pelo nome brasileiro ou pelo nome japonês – cada caso é um caso - e aqui se entrelaçam as relações pessoais, a identidade e os sentimentos, e a escolha acaba sendo perfeita”. Ou seja, por qual dos nomes chamar, depende do relacionamento pessoal ou dos sentimentos do momento. Certamente faz sentido quando a autora aponta que isto é matéria suficiente para se escrever uma tese em Linguística.

Também entre os nikkeis americanos há o costume de chamar ora pelo nome japonês ora pelo nome americano, dependendo das circunstâncias. Que isso depende do estado mental do momento é certeza, mas, além disso, é facilmente imaginável que existam fatores históricos e sociais. No caso dos nikkeis dos Estados Unidos há que se considerar o fato histórico do encarceramento de civis japoneses em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Alguém ser chamado pelo nome americano desde a infância, talvez estimule a formação de sua personalidade como sendo americano. Ao contrário, ser chamado pelo nome japonês, talvez obrigue-o a conscientizar-se de que deve conhecer a cultura japonesa.

Também nota-se a tendência de dar nome segundo a faixa etária. Os descendentes de terceira e quarta geração possuem apenas nome americano. Pensar o porquê disso é também interessante. Por que seus pais não lhe deram nome japonês?

Ao se pensar sobre os nomes, aparecem diversos pontos de vista interessantes. O suficiente para se escrever não apenas uma, mas várias teses.

 

Comitê Editorial

Estamos profundamente gratos pela participação do nosso Comitê Editorial:

  • Português: Laura Hasegawa
  • Inglês: Susan Ito, Andrew Leong, Tamiko Nimura
  • Espanhol: Javier Garcia Wong Kit, Alberto Matsumoto
  • Japanês: Yukikazu Nagashima

 

Favorito do Nima-kai

Os Nomes Escolhidos
Por Mary Sunada

Leia mais histórias Nomes Nikkeis >>

(* O prazo para o envio de relatos para a série Nomes Nikkeis já terminou. No entanto, você ainda pode compartilhar suas histórias sobre nomes como um artigo usual no Jornal Descubra Nikkei. Favor verificar o guia para o envio de artigos ao Jornal para que você possa compartilhar a sua história!)


Workshops de Redação Gratuitos

Em conjunto com esta série, o Descubra Nikkei ofereceu workshops de redação especiais e GRATUITOS em diversos países e cidades para encorajar o envio de narrativas à série “Nomes Nikkeis”.

Aqui estão algumas fotos dos workshops, como também “exercícios de aquecimento” (apenas em inglês) realizados durante os workshops.

 

Exercícios de aquecimento dos workshops (somente em inglês)

Workshops em Português

BRASIL

São Paulo: terça-feira, 26 de agosto, 19:00 às 21:00. (Portuguese)

Instrutora: Laura Hasegawa

Nasceu em São Paulo, Brasil. Formou-se na Universidade de São Paulo em Letras e Pedagogia, tendo atuado durante 30 anos como educadora. Colaborou na imprensa nipo-brasileira com matérias sobre a comunidade nikkei e a cultura japonesa. Em 1991 publicou seu primeiro romance “Sonhos bloqueados”, em 1993 participou de “Antologia de Poesia Nikkey” e em 2002 de “Pátria Estranha”, antologia de contos. “OHAYO Bom dia” é seu primeiro trabalho bilíngue (japonês-português).

* Co-patrocinador & co-anfitrião:

Workshops em outros idiomas

CANADÁ

Burnaby, BC: Sábado, 26 de julho, 14:00 às 16:00. (Inglês)

Instrutora: Tamiko Nimura

* Co-patrocinador & co-anfitrião:

ESTADOS UNIDOS

Anaheim, CA: Domingo, 28 de setembro, 12:30 às 14:30. (Inglês)

Instrutora: Patricia Wakida

* Co-patrocinador & co-anfitrião:

Chicago, IL: Sábado, 19 de julho, 10:00 às 12:00. (Inglês)

Instrutor: Andrew Leong

* Co-patrocinador & co-anfitrião:

Gardena, CA:Sábado, 23 de agosto, 10:00 às 12:00. (Inglês e Japonês)

Instrutora: Patricia Wakida (Inglês), Yukikazu Nagashima (Japonês)

* Co-patrocinador & co-anfitrião:

Los Angeles, CA: Sábado, 28 de junho, 10:00 às 12:00. (Inglês)

Instrutora: Patricia Wakida

* Co-patrocinador & co-anfitrião:

* Co-patrocinador & co-anfitrião:

* Co-patrocinador & co-anfitrião:

PERU

Lima: Sabado, 5 de julho, 9:00 às 12:00. (Espanhol)

Instrutor: Javier García Wong Kit

Lima: Sábado, 16 de agosto, 9:00 às 12:00. (Espanhol)

Instrutor: Javier García Wong Kit

* Co-patrocinador & co-anfitrião:


Agradecemos a Patricia Wakida por nos ter ajudado a organizar este projeto, como também nossos incríveis voluntários que nos ajudaram a rever, editar, carregar online e promover este projeto!