Um bairro japonês no Brasil

O bairro japonês de São Paulo — sempre que eu me vejo imerso nele, cercado de caos por todos os lados, invariavelmente eu sinto a minha mente como que vazia por um instante e me pergunto: “por que teriam esses japoneses atravessado os mares e construído, do outro lado do mundo, um bairro só deles?”.

Nesta coluna, eu gostaria de dividir com os leitores a história e a imagem contemporânea dos bairros japoneses que eu visitei, procurando não me afastar da pergunta que abre este artigo.

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Capítulo 11: Formação do Bairro Oriental e os líderes de primeira geração 1: Yoshikazu Tanaka

Em qualquer faceta da história da imigração mundial, no início da formação de bairros étnicos, verifica-se a existência de grandes líderes que possuíam grande poder de liderança. E se falarmos dos grandes líderes nikkeis que se envolveram na formação do Bairro Oriental de São Paulo primeiro vem a mente os nomes de Yoshikazu Tanaka (1906-1979) e Tsuyoshi Mizumoto (1920-1989).

Como já havia no sexto capítulo de “Formação e Desenvolvimento do Bairro Oriental”, em 1953, com a abertura do Cine Niterói foi, na área entre a Pra ...

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Capítulo 10 Londrina: Movimento da Cultura Nikkei e Matsuri Dance

Recentemente no Brasil, começou-se a utilizar, principalmente entre os jornais escritos em japonês no país, termos como “cultura nikkei” ou “nova cultura nikkei”. Estes termos são usados no sentido de “cultura modificada para um estilo brasileiro, com base na ‘cultura japonesa’”. Isso mostra uma postura de perceber a “cultura nikkei” como uma versão própria da “cultura japonesa”, diferenciando-a da “cultura japonesa do Japão”, definindo-a como elemento da “cultura brasileira” multicultural.

Atualmente, a área onde se considera haver presença mais intensa desta cultura nikkei é a de Paraná Norte (norte do estado do Paran ...

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Capítulo 9 A Formação e Desenvolvimento do Bairro Oriental 4 -Era da introdução de empresas japonesas no Brasil

Rua Tomás de Gonzada, em meados da década de 1970 – decorações elétricas chamativas, japoneses de terno saindo cambaleando de clubes noturnos, levados por atendentes [NT: no original hostess, empregadas dos estabelecimentos cuja função era fazer companhia aos fregueses], de maquiagem pesada, que se despediam com doces palavras – no bairro oriental, havia a “face noturna” de bairro de diversão noturna.

Como falado até o artigo anterior, sobre a nova concentração de nikkeis na região do bairro da Liberdade no pós-Guerra e a formação do bairro oriental, temos três momentos: 1 ...

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Capítulo 8 A Formação e Desenvolvimento do Bairro Oriental 3 – A Criação de uma “Nova Tradição”

No final de semana, o Bairro Oriental de São Paulo fica repleto com carros e pessoas que visitam o local. (Foto 8-1). São vários tipos: os turistas que vão ver a Feira Oriental, os clientes de lojas que vendem alimentos e mercadorias orientais, os que apreciam a comida dos restaurantes japoneses, chineses e coreanos, e mesmo os jovens fãs de J-POP que se amontoam na frente da estação. Além disso, esta área é centro de eventos étnicos, como a Hana-matsuri (Festa das Flores) em abril, a Tanabata-matsuri (Festa das Estrelas) em julho, a Tōyō-matsuri ...

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Capítulo 7 A Formação e Desenvolvimento do Bairro Oriental (2) – A Construção da Estação Liberdade

Começando pelo o Cine Niterói, quatro cinemas especializados em filmes japoneses funcionavam no Bairro da Liberdade desde o início da década de 1950, cintilando seus neons na Rua Galvão Bueno. Em 1964, foi finalizada a construção do prédio sede da Sociedade Paulista de Cultura Japonesa (atual Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa) no cruzamento da Rua Galvão Bueno com a Rua São Joaquim. Por causa desses dois acontecimentos, o espaço entre a Praça da Liberdade, passando pela Rua Gauvão Bueno, até a Rua São Joaquim tornou-se, na consci ...

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