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A Sociedade Nikkei nas matas da Amazônia

A personalidade dos alunos da Nippaku

Fui a Manaus como professor de língua japonesa através do trabalho voluntário da JICA, sendo recrutado para a Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental (Nippaku). Primeiramente, visitei todas as aulas realizadas de segunda-feira a sábado. Havia alunos de vários níveis, desde principiantes que não conheciam o hiragana e o katakana (alfabeto japonês) aos avançados, que dominavam muito bem o japonês.

Fiquei muito impressionado e emocionado com o esforço de todos os alunos, que estudavam com muita alegria num ambiente agradável organizado pelos professores locais que os estimulavam com muita originalidade pessoal.

Havia mais de 20 salas de aula e cada professor procurava oferecer informações sobre o Japão, enfeitando suas salas com mapas e calendários do Japão, outros com origami e desenhos com expressões de cumprimento em japonês e os alunos estudavam com muita harmonia.

Percebi também que havia calendários impressos em papéis de ótima qualidade e com cenários típicos japoneses como o Shinkansen (trem-bala), folhas avermelhadas do outono, o Monte Fuji e os templos de Quioto que atraíam os alunos, fazendo-os sonhar com o Japão num futuro próximo.

Havia também uma professora que gostava de animê e decorava a parede de sua sala com pôsteres enormes e bem chamativos. Mas, será que os alunos dessa sala conseguiam se concentrar? ....

Enfim, cada aluno possuía objetivos diferentes em relação ao aprendizado da língua japonesa. De idades variadas, a história e as raízes de cada um deles se diversificavam.

Lembro-me de um aluno que trabalhava numa empresa japonesa. Ele me disse que gostaria de estudar mais o idioma japonês para ter uma aproximação maior com os chefes japoneses. Outros procuravam níveis elevados para uma compreensão maior em reuniões em japonês; também havia aqueles que somente buscavam uma comunicação mais simples. Enfim, toda esta procura diferenciada estava ligada às 30 companhias japonesas existentes em Manaus.

Outro caso era de um aluno que trabalhava como guia turístico e também vendia acessórios num famoso ponto turístico de Ponta Negra, no Amazonas. Ele me disse que já sabia falar o francês e o espanhol. Mas para ser guia de turistas japoneses também tinha interesse em aprender o japonês.

Mas, na realidade, a grande maioria desses estudantes eram os jovens fãs do J-Pop e filmes sob a influência das fantasias dos personagens dos animês conhecidos mundialmente. Esta febre pelo Japão era tão grande que muitos compareciam à aula vestidos com camisetas de animê ou às vezes propriamente fantasiados.

Atualmente, graças à Internet, podemos obter informações detalhadas sobre animê ou mangá do Japão. Por isso, os alunos têm muito mais conhecimentos do que possamos imaginar. Depois que começou a transmissão em português de Naruto, One piece e Os cavalos do Zodíaco, muitos tiveram a oportunidade de conhecê-los. Fiquei surpreendido com a fama do Change man, Juspion e Ziraiya, que eram pouco conhecidos no Japão.

Tive também a oportunidade de conhecer 2 irmãos na escola primária. Um menino e uma menina que moravam na minha cidade, Hamamatsu. Soube que estudaram em escola pública japonesa por alguns anos, portanto eles dominavam muito bem o japonês. Davam continuidade aos estudos nessa escola, esforçando-se para não se esquecerem do japonês.

No Brasil, tive a oportunidade de me encontrar com muitos brasileiros que trabalharam no Japão como dekasseguis. Alguns diziam que tinham boas lembranças da vida no Japão, mas outros não.

Na Nippaku, muitos alunos que tiveram a oportunidade de morar no Japão no passado, tiveram uma ótima impressão sobre a vida japonesa e pensam em voltar a trabalhar lá.

Às vezes, por problemas de visto, não conseguem voltar ao Japão. Como foi o caso de uma aluna brasileira, casada com um nikkei que morou no Japão por muitos anos. Depois de seu divórcio, teve que voltar ao Brasil. Mesmo não tendo mais ligação direta com os japoneses, ela continuou a estudar o idioma, pois o achava muito interessante.

Em outra sala de aula, conheci um casal de uns 30 anos de idade. O marido era descendente de japoneses e falava japonês um pouco e sua esposa, brasileira, não falava quase nada. Um dia, perguntei a razão de estar estudando e ela me respondeu com sorriso que sua sogra era japonesa, era muito gentil e sempre conversava com ela em japonês. Porém, como ela não entendia nada, estava lá para estudar japonês.

A vida dos nikkeis não se resume em uma só palavra. Portanto, através desta coluna, gostaria de  apresentar alguns exemplos da ligação entre o Brasil e o Japão.

 

© 2015 Toshimi Tsuruta

Brazil community japanese school language Manaus Nippaku

Sobre esta série

O autor Toshimi Tsuruta foi como voluntário a Manaus, Amazonas, onde há o maior número de habitantes descendentes de japoneses. No outro lado do mundo, presenciou várias cenas de como os descendentes e imigrantes japoneses herdam ativamente o idioma e a cultura do Japão. Nesta coluna, ele transmitirá acontecimentos interessantes que presenciou no dia-a-dia, nos três anos que esteve lá.