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A Sociedade Nikkei nas matas da Amazônia

Comemoração do 80º aniversário dos Koutakusei

Dia 12 de agosto de 2010.

- Vocês vieram do Japão? Isso é uma boa chance e por isso devem visitar a Vila Amazônia!

O vice-prefeito de Parintins me deu a oportunidade de visitar a Vila Amazônia, quando estive em Parintins com uma pessoa da JICA pela primeira vez.

Vila Amazônia é o nome da colônia onde os Koutakusei e seus familiares moraram e fizeram o desenvolvimento da Amazônia antigamente.

Dizem que o prédio chamado Hakko Kaikan que foi sede das atividades dos Koutakusei,era realmente parecido com um maravilhoso templo.

Antes de partir para a Vila, Mário Taketomi, presidente da Associação Nipo-brasileira de Parintins naquela época, explicou tudo mostrando materiais antigos sobre os Koutakusei.

Nós pegamos um barco pequeno com capacidade para 10 pessoas, que avançou pelo rio Amazonas por mais ou menos uma hora até chegarmos ao nosso destino.

No interior da selva, algumas casas rústicas feitas de madeira cá e lá.

Era ali o porto de Vila Amazônia. Havia somente uma pequena loja que mais parecia uma choupana. Nenhum supermercado, somente a igreja e a escola.

Do porto, andando mais ou menos 100 metros, avistamos um largo campo. Na vara de madeira de 4 metros está escrito “Hakko Kaikan” em alfabeto. No lugar onde ficava o Hakko Kaikan antigamente, sobrou somente a base do prédio.

Mais dez metros além há uma praça. E lá conseguimos ver um grande torii vermelho que simboliza o Japão: o Portal Xintoísta Japonês, monumento que mostra uma cena plantando juta e a estátua de Ryota Oyama, conhecido como “pai da juta”.

Torii na praça

Os canos da concessionária de água daquela época estão à mostra; ouvi dizer que havia um hospital para japoneses neste lugar.

Agora não restam muitas casas onde os japoneses moravam naquele tempo. Encontrei morando numa dessas casas uma família brasileira local.

- Antes que escureça, vamos visitar a escola local e o cemitério japonês. Vamos pegar mototáxi! – disse Mário-san.

Como é cidade de interior, fica muito difícil encontrar mototáxi.

Então o gordinho Mário-san sentou-se no banco de trás de uma das motocicletas e eu e o staff da JICA ocupamos a outra moto.

Eu não imaginava que em plena selva amazônica fosse andar de moto junto com três pessoas!

Primeiro, nós chegamos à Escola Uekusa Tsukasa, que recebeu o nome do “pai do Koutakusei”, Tsukasa Uekusa.

Escola municipal Dr. Tsukasa Uetsuka

Na cidade de Parintins e cercanias, nós encontramos escolas, hospitais e prédios com nomes japoneses, o que demonstra o respeito pelo grande sucesso dos japoneses.

Eu vi que Mário-san esforçava-se para explicar para as professoras da escola sobre a cerimônia comemorativa do 80º aniversário do Koutakusei.

O Mario san esta conversando com a professora

As duas motos avançaram mais para o fundo da selva.

A via asfaltada tornou-se caminho de terra e finalmente mudou para um caminho acidentado com muitas ervas daninhas, formado pela passagem de animais selvagens.

Nós subimos o morro e chegamos num pequeno cemitério.

Talvez fosse o cemitério dos moradores locais, havia alguns túmulos pequenos feitos de madeira e à mão.

Como os túmulos brasileiros, esses eram coloridos, mas para mim foi muito doloroso de ver.

Algumas das cruzes foram provavelmente quebradas.

E mais ao fundo nós encontramos uma terra desolada, onde na grama seca estavam espalhadas placas de ardósia e blocos de concreto.

cemitério dos locais

- Olha isso, Toshimi! Aqui é o cemitério dos Koutakusei!

- Nossa! Não acredito! Por que está assim ruim?

cemitério dos koutakuseis

Realmente essa terra devastada tinha sido o cemitério dos que perderam a vida aqui mais ou menos 70, 80 anos atrás.

Durante e depois da guerra, foram tirados dos japoneses o seu idioma, as suas propriedades, as suas terras, tudo.

Naquela época havia rumores de que, depois que os japoneses morrem, sua herança é colocada junto dentro do túmulo. Por isso, alguns túmulos foram violados.

Eu ouvi histórias de que, depois de violar os túmulos, as pessoas pobres do local usavam as lápides ou a base dos túmulos feita de concreto para fazer o próprio túmulo. Que historia mais triste!

Do Japão vieram para cá muitos jovens cheios de esperança e com um grande sonho. Algumas famílias foram chamadas por eles e alguns se casaram aqui.

No tufo crescendo espesso e denso, os túmulos existentes não mantiveram a forma original.

Nesse dia eu consegui distinguir duas placas de pedra como lápide.

Numa das placas estavam escritos o sobrenome japonês em alfabeto e os números 4.9.1939-18.2.1940. Significa que uma criança faleceu menos de um ano depois de nascer.

lápide da criança

- O ano de 2011 é muito importante. Passaram-se 80 anos desde que os Koutakusei vieram para a Vila Amazônia pela primeira vez. Nós temos que comemorar esse 80º aniversário. Antes da cerimônia vou limpar e arrumar tudo nesse cemitério. Sinto muito sobre nossos grandes predecessores. A grande cerimônia vai ser realizada em junho. Com certeza, até lá tudo vai ficar pronto.

Assim disse Mário-san com convicção.

 

© 2017 Toshimi Tsuruta

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Sobre esta série

O autor Toshimi Tsuruta foi como voluntário a Manaus, Amazonas, onde há o maior número de habitantes descendentes de japoneses. No outro lado do mundo, presenciou várias cenas de como os descendentes e imigrantes japoneses herdam ativamente o idioma e a cultura do Japão. Nesta coluna, ele transmitirá acontecimentos interessantes que presenciou no dia-a-dia, nos três anos que esteve lá.