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A Sociedade Nikkei nas matas da Amazônia

Aulas de japonês em Manaus

No dia 1º de julho de 2010, após um treinamento intensivo que se iniciou em março do mesmo ano, partimos para o Brasil via Nova Iorque como voluntários da Jica. Chegando em São Paulo, tivemos um curso de língua portuguesa durante o período de 1 mês.

Após o término deste curso no dia 23 de julho, cada um de nós voluntários, daríamos início ao nosso trabalho nas respectivas cidades: Rio de Janeiro, Campo Grande, Brasília, Foz do Iguaçu, entre outras.

Inclusive eu que, após 4 horas de voo, estava no maior aeroporto da Amazônia! Aeroporto Internacional Eduardo Gomes situado em Manaus. Era difícil de acreditar que estivesse no mesmo território após 4 horas de voo doméstico, pois 4 horas de voo partindo do Japão é como se fosse uma pequena viagem internacional com destino à China, Coreia ou Vietnã. Foi quando, realmente, me dei conta de que o Brasil era 23 vezes maior do que o Japão.

A cidade de Manaus é conhecida mundialmente apenas como uma floresta. Porém, isso não passa de um grande equívoco. 

Manaus é uma cidade moderna com mais de 2 milhões de habitantes e empreendimentos e investimentos de mais de 200 empresas internacionais e 30 empresas japonesas. Jamais me esquecerei da primeira impressão que tive sobre a via principal, que liga o aeroporto ao centro da cidade. Sol forte, céu azul, o verde dos coqueiros alinhados pela via e o tráfego intenso de caminhonetes e ônibus eram cenários inéditos para mim.

Havia pesquisado sobre a cidade de Manaus através do You Tube e tinha apenas informações teóricas, sem ter uma noção real desse clima tropical.

Quando aterrissamos no aeroporto de Manaus, fomos recebidos carinhosamente por 3 cidadãos: o senhor Ken Nishikido, presidente da Associação Nipo-Brasileira Amazônia Ocidental , o senhor Koichi Koba, diretor executivo da primeira geração japonesa e o senhor Hajime Takayama, ex-presidente da  Associação da 3ª Geração.

A sociedade japonesa em Manaus é composta de imigrantes japoneses que vieram antes e depois da II Guerra Mundial, descendentes dos estados de São Paulo, Pará, Paraná e famílias de funcionários de empresas japonesas.

Há uma grande diversidade na composição dos professores da escola japonesa. Alguns se casaram com japoneses da mesma geração, outros se casaram com descendentes da 2ª (nissei), 3ª (sansei) gerações, que na verdade não notamos diferença entre eles. Outros se casaram com os próprios brasileiros. Realmente, uma mistura bastante complexa.

Lembro-me nitidamente da minha primeira noite em Manaus. Houve uma festa de boas-vindas para mim e minha esposa. Todos os professores da Associação Nipo-Brasileira do Amazonas Ocidental se juntaram para comemorar a nossa chegada. Fiz uma breve auto- apresentação e comemoramos com salgadinhos típicos como quibe, coxinha, pastel, etc. 

Quando cheguei lá em 2010, cerca de 500 alunos estudavam o idioma japonês. 500 alunos! Sem dúvida, o Brasil é um país muito vasto, porém é muito raro encontrar cursos deste porte. A maioria destes alunos são brasileiros locais que não possuem raízes japonesas.

O Brasil é chamado de  um pais de imigrantes. Pois como sabemos pela História, a composição étnica deste país é de indígenas, portugueses, espanhóis, escravos africanos, chineses, italianos, alemães e japoneses. Assim o brasileiro é a mistura de todos. A característica dos japoneses é muito simples: cabelos pretos, pele amarela, não são muito altos, etc. Porém, a do brasileiro é mais complicada. Existem brasileiros com cabelos pretos, loiros, de pele branca ou morena, são altos ou baixos... Enfim, características bem variadas. O Brasil é um conjunto de nacionalidades. Portanto, não é raro encontrar brasileiros com raízes variadas. Por exemplo: a mãe é italiana e o pai é japonês.

A Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental é chamada de Nippaku, que significa o Japão (Nip) e o Brasil (Paku). No curso de idioma japonês da Nippaku, a média de 20% dos alunos tem raízes japonesas ou alguma relação com Japão. Opostamente, 80% dos professores são descendentes de japoneses. Alguns moraram no Japão como dekasseguis e alguns nasceram lá. 

Este curso pode ser frequentado por crianças e adultos. Vou-lhes apresentar um pouco o curso. São basicamente 9 níveis, desde principiantes até avançados com exames de proficiência japonesa. Os alunos estudam japonês 3 horas por semana e avançam de nível a cada 6 meses. Para oferecer uma aula mais divertida e de fácil compreensão, os professores participam de treinamentos realizados em São Paulo ou até mesmo no Japão, “A aula deve ser divertida” é um lema do professor Ken Nishikido.

Relembrando novamente a festa de boas-vindas, um professor jovem sentou-se ao meu lado e, com um sorriso, começou a conversar: “Muito prazer em conhecê-lo. Meu nome é Ronan. Vocês são de Hamamatsu, não? Na verdade morava lá também e meus pais ainda moram por lá”. Ele me contou que a família dele está no Japão como dekassegui. De fato, Hamamatsu é uma cidade que tem o maior número de residentes  brasileiros. Depois de ouvir as palavras de Ronan, senti uma forte relação entre Hamamatsu e Manaus, e  esta hospitalidade carinhosa dos professores eliminou minha hesitação sobre a minha nova vida no outro lado do mundo.

 

© 2015 Toshimi Tsuruta

Brazil japanese language school JICA volunteers Manaus

Sobre esta série

O autor Toshimi Tsuruta foi como voluntário a Manaus, Amazonas, onde há o maior número de habitantes descendentes de japoneses. No outro lado do mundo, presenciou várias cenas de como os descendentes e imigrantes japoneses herdam ativamente o idioma e a cultura do Japão. Nesta coluna, ele transmitirá acontecimentos interessantes que presenciou no dia-a-dia, nos três anos que esteve lá.