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Nacionalização das comemorações do Centenário

No ano de 2008 comemora-se os 100 anos da imigração japonesa ao Brasil e vários eventos de norte a sul do país. Esse é um fato curioso ao se considerar que o número de descendentes de japoneses, também conhecida como população nikkei, no Brasil representar cerca de 0,8% da população brasileira que em 2007, ou seja, pouco mais de 1,5 milhão dos 184 milhões de brasileiros.

Quais fatores contribuíram e contribuem para a nacionalização das comemorações do centenário da imigração, o que não é fácil, se for considerado que o país é o quinto maior do mundo em superfície. Primeiramente, podemos considerar o fato do Brasil conseguir acolher muito bem os estrangeiros. Os imigrantes japoneses conseguiram superar suas dificuldades iniciais de adaptação, que também devem ter sido enfrentadas pelos imigrantes de outras nacionalidades, envolveram-se na sociedade brasileira e conquistaram seus espaços para contribuir com o desenvolvimento nacional.

Os exemplos das contribuições japonesas vão da inclusão de novos alimentos na cultura brasileira pelos imigrantes, como os simples caqui ou sushi chegando à culinária mais sofisticada dos dias atuais. Mas, as contribuições não param por ai, as contribuições na área econômica também são fatores que fazem do Japão, seus imigrantes e descendentes um capítulo a parte na história do Brasil. É conhecida a presença japonesa no setor agrícola brasileiro, mas com o passar dos anos os descendentes passaram a desenvolver outras atividades profissionais e hoje estão em praticamente todas as áreas da economia brasileira.

Além das contribuições da população nikkei no Brasil, há que se considerar também a importante presença de empresas japonesas, que participaram e participam do desenvolvimento econômico brasileiro que com seus investimentos diretos estrangeiros (IDE), instalam e ampliando empresas no país, e geram novos empregos no país. De acordo com dados do Banco Central, o Japão em 2000 estava entre os 10 maiores estoques de IDE no Brasil. E no período de 2001 de 2006 o fluxo de recursos investidos foi o oitavo maior, totalizando US$ 4,37 bilhões, valor 77% superior ao ao estoque acumulado até 2000, demonstrando que o interesse das empresas japonesas pelo Brasil se mantém.

No entanto, houve uma reaconomodação nos investimentos japoneses no país, pois, conforme foi mencionado pelo ministro Celso Amorim em entrevista, “nos anos 70, já havia cerca de 500 empresas japonesas aqui instaladas. Nas décadas de 80 e 90, ambos os países passaram por dificuldades econômicas e nosso intercâmbio perdeu ímpeto. Agora que problemas como a inflação no Brasil e a estagnação no Japão estão superados, precisamos encontrar forma de reativar a relação” . Em 2007 o número de empresas japonesas havia sido reduzido para 280, de acordo com uma publicação japonesa chadama Toyo Keizai, no entanto, é fato que os interesses dos executivos e empresas japoneses pela Brasil está sendo revitalizado.

Outro fator que contribui é o fato de que apesar de atualmente os nikkeis representarem e estar concentrada na região sudeste do país, eles estão distribuídos em vários estados do país do Rio Grande do Sul ao Amazonas. Portanto, o fato das festividades estarem sendo realizadas em esses diversos Estados mostra que não só a presença da comunidade japonesa, mas que ela foi bem recebida em cada um deles. Essa relação positiva é um fator a ser destacado no Brasil, pois é um país que conseguiu receber várias povos de várias etnias e promover um convivío não só pacifico, mas de respeito e colaboração.

Particularmente com relação a cultura japonesa, no Brasil há um crescente interesse, o animê (desenhos animados japoneses) são grande atração do público brasileiro. De acordo com uma pesquisa realizada em 2007 pela consultoria Nova Investe e a Jetro, o animê está entre os quatro temas que se destacaram por estarem na preferência de 70% ou mais, dos pesquisados, juntamente com Culinária, História e Música. E paralelamente ao aniumê os produtos editoriais japoneses também fazem muito successo no país, particulamente as revistas em quadrinhos conhecidas como mangá.

Esses fatos não permitem chegar a afirmações conclusivas, mas podem contribuir para as expectativas de ampliação das relações entre os dois países. Novamente citando as palavras do ministro Amorim dadas na entrevista mencionada: “na ocasião da visita do Presidente Lula ao Japão, nossos países decidiram que o ano de 2008 seria o "Ano do Intercâmbio". Decidimos também que 2008 não seria somente de "festas" e sim uma oportunidade para fortalecer ainda mais os laços que nos unem, construindo uma parceria verdadeiramente estratégica. A relação com o Japão não possui qualquer irritante, seja no aspecto político, seja no econômico” . Essa é a expectiva.

As comemorações, além de servir para marcar o ano do centenário, têm contribuído muito para maior divulgação de informações sobre o Japão no Brasil e do Brasil no Japão, pois há vários documentários, reportagens e noticiários cobrindo as relações bilaterais. Essas ações no mínimo contribuem para que os povos dos dois países ampliem seus conhecimentos mútuos, o que já é um passo positivo para um relançamento das relações, pois não é razoável gostar do que não se conhece.

* Associação Brasileira de Estudos Japoneses (ABEJ), afiliada ao Descubra Nikkei, contribui com este artigo para a Descubra Nikkei. ABEJ é uma organização sem fins lucrativos que congrega professores e pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento sobre o Japão, especialistas,estudantes e pessoas interessadas em questões japonesas.

© 2008 Alexandre Ratsuo Uehara