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No Bunkyo, a homenagem aos condecorados Makoto Tanaka e Hiroshi Endo

Na noite do dia 13 de dezembro, cerca de 70 pessoas - entre familiares, amigos e representantes das entidades nipo-brasileiras -, estiveram reunidas no Salão Nobre para homenagear os condecorados do 23º ano da Era Heisei: Makoto Tanaka (Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro e Prata) e Hiroshi Endo (Ordem do Sol Nascente, Raios de Prata).

Os condecorados, (à esq.) Makoto Tanaka e a esposa Nilce e Hiroshi Endo e a neta Clarice

Coube ao presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita, saudar os homenageados em nome das 35 entidades co-promotoras, que destacou ser “este um momento de muita alegria e orgulho para todos nós, visto que esta condecoração, representa o reconhecimento da importância das atividades desenvolvidas pelos japoneses e seus descendentes nesta terra brasileira que adotaram como sua nova pátria”.

Em sua saudação, dirigindo-se ao condecorado Tanaka, o presidente Kita destacou: “em nome de nossa amizade de longos anos, gostaria de parabenizá-lo por esta condecoração do governo japonês e agradecer sua generosa doação. Para nós, esse gesto representa um inegável estímulo para continuarmos desenvolvendo nossas atividades”. Também, lhe fez um convite; “constatamos que, mais uma vez, o Brasil está sendo considerado como um dos destinos preferidos de inúmeros empresários japoneses. E, nesse sentido, gostaríamos de contar com sua longa experiência para nos ajudar a dar acolhida a esses novos investimentos”.

Makoto Tanaka, chegou ao Brasil em 1973, no mesmo ano em que se associou à Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, ocupando diversos cargos: foi presidente do Departamento de Consultor, Conselho Fiscal, diretor gerente e vice-diretor presidente. Foi diretor-presidente de 2003 até 2009, tornando-se presidente de honra a partir de 2010. Também foi vice-presidente da Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Durante cerimônia realizada na tarde do dia 13, na residência oficial do cônsul-geral Kazuaki Obe, para a outorga da honraria, os fatos relevantes em relação ao Japão e que motivaram a condecoração foram: “na função de presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, promoveu o crescimento de empresas japonesas recém-instaladas no país e de empresas-membros de ascendência japonesa e, ao manter uma conexão bastante próxima e forte com os governos do Japão e do Brasil, contribuiu grandemente no fomento do intercâmbio econômico de ambos os países”.

Continua: “ainda, como presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, não poupou esforços atuando como vice-presidente da Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, conduzindo as festividades que alcançaram pleno êxito”.

Endo, um personagem especial numa história especial

Já o condecorado Hiroshi Endo, destaca-se por sua intensa atividade junto às entidades associativas. Em uma delas, na Associação Japonesa de Santos, ocupou a vice-presidência de 1976 até 2003 e a presidência de 2004 até 2008, sendo atualmente conselheiro da entidade.

Na Casa de Reabilitação Social de Santos “Kosei Home” foi vice-presidente da comissão de Administração e desde 2008 é presidente e membro permanente da Regional de Santos da Beneficência Nipo-Brasileira - Enkyo. Ocupou a presidência do Clube Estrela de Ouro Futebol Clube de 1987 até 1998. Foi vice-presidente da Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Para o público em geral, o tempo (32 anos) que Hiroshi Endo fez parte da direção da Associação Japonesa de Santos poderá saltar aos olhos pela duração. Mas, certamente, esse tempo encerra outro significado de profunda importância na trajetória da história dos imigrantes japoneses neste país.

A cidade de Santos, considerada porta de entrada dos imigrantes japoneses, foi palco da repressão do governo brasileiro quando do rompimento das relações diplomáticas Brasil-Japão, com o recrudescimento da Segunda Guerra, em 1939. Em 1942, em nome da segurança nacional, todo japonês foi obrigado a deixar a cidade de Santos no prazo de 24 horas. Antes, a Sociedade Japonesa de Santos, que mantinha uma escola de língua japonesa, apesar da mudança do nome, sofrera intervenção do governo federal. E, em 1946, a despeito do final da guerra, esse imóvel que pertencia à comunidade nipo-brasileira foi incorporado ao patrimônio nacional.

Foram exatamente 60 anos de luta para reaver esse imóvel, apesar da tentativa de diferentes setores da sociedade, principalmente aquele relacionado à política. Até que, finalmente, em 2006, Hiroshi Endo e Sadao Nakai assinaram, em conjunto com o presidente Lula, o acordo de cessão gratuita do imóvel que fora confiscado.

Tinha assim um final feliz essa história com um dos protagonistas, o condecorado Hiroshi Endo, hoje com 77 anos, que emigrou à Bolívia em 1957 e trocou-a, definitivamente, pelo Brasil em 1965.

Os feitos relevantes que motivaram a condecoração de Hiroshi Endo pelo governo japonês foram: contribuiu para o progresso da comunidade nipo-brasileira da região de Santos, promovendo a ascensão social dos nipo-brasileiros e a harmonia com a sociedade brasileira. Contribuiu também para o desenvolvimento da assistência social aos nipo-brasileiros através do apoio às instituições de assistência social nipo-brasileira.

A cerimônia de homenagem da comunidade

No palco, ao lado dos homenageados – Makoto Tanaka estava acompanhado da esposa, Nilce Sakata e Hiroshi Endo, viúvo, escolheu a neta Clarice Akemi com acompanhante – o cônsul-geral adjunto Masahiko Kobayashi; o presidente da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo Yoshiharu Kikuchi; o presidente da Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil Akinori Sonoda; o presidente da Câmara do Comércio e Indústria Japonesa no Brasil Masaki Kondo; o diretor da Aliança Cultural Brasil-Japão Jorge Yoshio Sawasato e presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita.

Ao agradecer a homenagem, Tanaka lembrou que, em 1973, “quando pisei pela primeira vez no solo brasileiro, aqui passava pela fase do milagre econômico com grande impulso de empresas japonesas, como num tsunami”. E mencionou os anos difíceis da crise enfrentada pelo Brasil que resultou em moratória, para ressaltar: “minha permanência aqui beira os 40 anos, mas comparada com aquela época, sinto uma imensa alegria ao ver, na minha idade avançada, a reativação da economia”.

Já a trajetória do imigrante Hiroshi Endo passa inicialmente pela Bolívia, em 1957, e chegou ao Brasil em 1965, onde fez carreira no Banco América do Sul e, após a aposentadoria passou a dedicar-se às atividades sociais. Sobre sua atuação junto ao Kosei Home, casa de repouso para terceira idade mantida pelo Enkyo, diz: “queria que não fosse simplesmente um local, triste, como muitos dos asilos”, e justifica: “tem gente que se deu bem neste país, mas muitos não tiveram a mesma sorte, e temos de ajudar essas pessoas. Temos que cuidar desses idosos para retribuir pelo menos um pouco do muito que recebemos”.

Conta ainda que, depois dos 70 anos de idade, “as pessoas precisam fazer ginástica da cabeça, usar a cabeça” e, para isso, compõe poemas.

Um dos seus preferidos é: minna tigatte mo minna ii (literalmente, “todos são diferentes, mas todos bons”).

Antes do brinde e do coquetel, Nilce Sakata, esposa de Makoto Tanaka foi homenageada com um buquê entregue por Keiko Amano, esposa de Ichiro Amano (diretor executivo e presidente da Comissão de Assuntos Relacionados à Comunidade Nikkei, da Câmara) e Clarice Akemi Endo, a neta de Hiroshi Endo, recebeu o ramalhete das mãos de Marisa Kikuchi, esposa de Yoshiharu Kikuchi, presidente do Enkyo.

* Esse artigo foi originalmente publicado no Bunkyo website em 16 de Dezembro de 2011

© 2011 Célia Abe Oi

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