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PERFIL DO ARTISTA:

Nascida em 1972, em Lima, Peru. Vive e trabalha em Lima.

Patssy Higuchi cresceu numa família de artistas, tendo aprendido a pintar com seu pai e a fazer cerâmica com a mãe. Estudou desenho e pintura, por seis anos, na Escola Nacional de Belas Artes do Peru—a mesma escola onde seus pais se conheceram. Em 1993, conheceu seu futuro marido, o artista cubano A. Alexis Garcia e, naquele mesmo ano, os dois fundaram a Cauri Oficina de Gráfica Experimental, um workshop de impressão para artistas. O casal viveu durante pouco tempo em Havana, Cuba, onde Higuchi foi artista convidada no Workshop de Gráfica Experimental, antes de retornar ao Peru.

TRANSCRIÇÃO:

Veja, tenho olhos arredondados. E meu cabelo é assim.

Entrevistador: Você não parece muito Nikkei.

Não. Desde pequena, isso sempre foi muito complicado para mim. Ser reconhecida por alguém como membro da comunidade Nikkei me faz sentir que pertenço a algo. Isso é engraçado, porque sempre tive essa contradição interna, desde criança. E parte do meu trabalho tem sido negar isto, porque pela minha aparência, essa não sou eu, mas também por isso é que senti que isso que era importante... Pertencer era muito importante.

O ambiente ao meu redor, minha família e o que acontece na minha vida, é o que alimenta o meu trabalho. Não diria que o ambiente político e social não me afetam, porque claro que ambos o influenciam e impactam, mas meu trabalho sempre começa a partir do que ocorre comigo, no momento em que estou.

No início, eu ficava muito preocupada com tudo que tinha a ver com meu corpo, devido ao que estava ocorrendo comigo naquele momento. Comecei então a me questionar por que razão as mulheres têm que obedecer a todos esses controles sobre o corpo, e comecei a me preocupar muito com tudo o que era relacionado à formação da identidade da mulher. Comecei a me concentrar em impressão de gravuras, em meios de comunicação de massa e tudo mais.

Fui morar no exterior, mas esse tema das mulheres era sempre recorrente. Voltei a morar aqui e engravidei de novo. Era meu terceiro filho, era uma menina. E de repente, minha filha foi como o motor que desencadeou uma nova maneira de ver aquilo que eu vinha fazendo. De repente, eu me via nela. Isso então deu origem a uma série de questionamentos sobre minha mãe e eu. Como minha mãe passava muito tempo conosco - eu e minhas três irmãs - aprendi a tricotar, a bordar e a costurar. Sempre trabalhei com as mãos e em meu trabalho, no colégio, passava muito tempo pintando, mas fazia também cerâmica e mais tarde, gravuras.

O processo litográfico foi o que primeiro atraiu minha atenção por causa dos moldes, que são duros, rígidos - uma pedra - sobre a qual você trabalha para depois usar um processo químico para fazer a imagem. Não sei por que há essa relação entre algo rígido e duro que reproduz uma gravura. A partir de então, segui isso. E segui em frente com essa linha de trabalho que venho desempenhando desde então.

* * * * *

Fronteiras Transpacíficas: a arte da diáspora japonesa em Lima, Los Angeles, Cidade do México e São Paulo está em exibição no Museu Nacional Nipo-Americano de 17 de setembro de 2017 a 25 de fevereiro de 2018. A exposição examina as experiências de artistas de ancestralidade japonesa que nasceram, cresceram ou vivem na América Latina ou em bairros predominantemente latino-americanos no sul da Califórnia. Patssy Higuchi é uma das artistas de destaque nessa exposição.

Para mais informações sobre a exposição, visite janm.org/transpacific-borderlands.

Japanese American National Museum
100 N. Central Ave.
Los Angeles, CA 90012
janm.org

*A exposição é parte da Pacific Standard Time LA/LA—uma iniciativa liderada pela Getty Foundation, que explora a arte latino-americana em diálogo com Los Angeles e foi realizada com um patrocínio dessa Fundação. O atual patrocinador da PST/LA/LA é o Bank of America.

JANM — Atualizado em Dez 20 2019 12:57 p.m.


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