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O retorno dos dekasseguis

Desde o final de 2008, os problemas econômicos globais conduziram o Japão, a uma rápida desaceleração do nível de atividade econômica, tendo como consequência demissões de muitos dekasseguis. Por isso, neste momento, uma pergunta recorrente é qual será o futuro desses trabalhadores? E a resposta está diretamente ligada ao desempenho da economia nipônica, pois nos últimos anos, seus resultados positivos estiveram muito atrelados ao comércio exterior.

No inicio de 2008 já havia projeções desaceleração da economia global, mas não se projetava os impactos da quebra do Lehman Brothers. No primeiro momento, o setor financeiro japonês não foi fortemente abalado como o dos EUA e Europa, pois suas instituições não tinham grande volume de ativos relacionado às hipotecas subprime, No entanto, desde o segundo semestre de 2008 o iene passou por um período de valorização, que pode ser explicado pelo “carry trade” - operação financeira de compra de ienes moeda forte com taxa de juros muito baixa, para aplicação ou pagamentos onde a taxa de juros é mais elevada. Comparando-se os valores de câmbio apresentados pelo Banco do Japão para o período de agosto/08 a janeiro/09, a valorização do iene foi de 17,7% frente ao dólar, passando de 104,76 ienes/dólar, para 89,51 ienes/dólar.

Com a valorização do iene, os produtos japoneses ficaram mais caros em dólares no mercado internacional. Assim, as exportações, já afetadas pela desaceleração da economia mundial, sofreram forte queda. Como conseqüência, as exportações declinaram 11,85% no terceiro trimestre de 2008, segundo a Japan External Trade Organization (Jetro). O resultado de janeiro foi ainda pior, com retração de 34,1%. Em janeiro, um dos maiores recuos referiu-se às vendas ao mercado norte-americano (menos 42,8%). Esse número é importante, pois os Estados Unidos representam 16,4% do total das exportações japonesas.

Paralelamente aos problemas no comércio exterior, que fizeram com que o resultado da balança comercial saísse de um superávit de US$ 775,3 milhões para um déficit de US$ 3,25 bilhões, houve a retração do mercado doméstico. Segundo o Ministério de Assuntos Internos e Comunicação, desde o primeiro trimestre de 2008 os indicadores vêm mostrando tendência de redução do consumo. Vê-se, portanto, uma dupla contração da demanda. O resultado desse cenário foi a involução do PIB em 12,7% no último trimestre de 2008, em relação ao mesmo período de 2007. Em 2009, as noticias de dificuldades persistem. Por exemplo: anunciou-se que, em fevereiro, houve 1.318 falências, um recorde em um só mês nos últimos seis anos.

Diante de todo esse cenário, ocorreram demissões de muitos dekasseguis, cujo trabalho já vinha sendo ameaçado há algum tempo, em razão da concorrência com trabalhadores asiáticos, cujos salários são menores. E, no curto prazo, a empregabilidade dos brasileiros no Japão não deverá melhorar, pois a recuperação da economia não deverá ser rápida nesse país. Havia expectativas de que, no segundo semestre de 2009, a economia mundial começaria a dar sinais de recuperação. No entanto, o clima pessimista persiste.

Por exemplo, o setor automotivo que emprega um grande número de brasileiros direta ou indiretamente mantém-se divulgando resultados desanimadores. No mês de fevereiro de 2009 houve uma forte retração das exportações de veículos pelo Japão, em torno de 63,9%. O mercado doméstico apresentou uma retração superior a 24%.

Com isso, as perspectivas é que deverão ocorrer mais demissões e há pouca esperança de reabertura de vagas em curto prazo. Por isso, o Brasil deve se preparar para o retorno dos dekasseguis.


* Associação Brasileira de Estudos Japoneses (ABEJ), affiliated with Discover Nikkei, contributed this article to Discover Nikkei. ABEJ is a non-profit organization composed of professors and researchers in various fields of study about Japan, in addition to specialists, students, and others interested in Japanese issues.

© 2009 Alexandre Ratsuo Uehara