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Fronteiras Transpacíficas: Por Trás dos Bastidores com o Artista Shinpei Takeda

“Tem gente que acha que o meu trabalho parece estar falando [através de] um megafone”, diz Shinpei Takeda. “E tem gente que acha que parece estar tentando pegar alguma coisa, como uma rede de pescar. [Duas interpretações] completamente diferentes. Mas eu acho bom que pode ser as duas coisas”.

Para Takeda, unir perspectivas distintas não é novidade. Um artista visual e cineasta que trabalha com diversos tipos de mídia—incluindo cinema, fotografia, som, performance artística, pintura, fibra, caligrafia—ele dá valor à variedade.

Mas Takeda também traz consigo uma visão própria da amplitude das diferentes culturas do mundo. Nascido no Japão, mas morando e trabalhando no México e na Alemanha, Takeda é emblemático de uma sociedade cada vez mais globalizada. Ele é um dos artistas contemporâneos apresentados na exposição do Museu Nacional Japonês Americano, Fronteiras Transpacíficas: A Arte da Diáspora Japonesa em Lima, Los Angeles, Cidade do México e São Paulo. A exposição fazparte da “Pacific Standard Time: LA/LA” (lit., “Horário Oficial da Costa do Pacífico [dos EUA]: LA/LA”), uma iniciativa da Fundação Getty da qual fazem parte 70 instituições culturais do sul da Califórnia.

Fronteiras Transpacíficas examina as experiências de artistas de descendência japonesa nascidos, criados, ou residentes na América Latina ou em bairros predominantemente latino-americanos do sul da Califórnia. A exposição procura traçar os efêmeros laços conectando as comunidades japonesas, latino-americanas e do sul da Califórnia. Talvez de forma apropriada, um dos trabalhos artísticos de Takeda, uma obra visualmente impressionante que literalmente combina o uso de fios de barbante com outros materiais, adorna a entrada da exposição.

Foto: Todd Wawrychuk

“O nome da obra é ‘A Política do Deslocamento: (Decaimento Beta 8)’”, explica Takeda. “Ela faz parte de uma série de esculturas usando fios que eu venho fazendo desde 2013, e que é chamada de ‘Série Decaimento Beta’. Eu comecei a trabalhar nesse projeto quando ainda estava estagiando no Taller 8, [uma organização sem fins lucrativos] em Teotitlán del Valle, no estado de Oaxaca [no México], onde a cidade inteira é [habitada] principalmente por tecelões”.

“Fiquei impressionado com a beleza dos fios que eles usavam por baixo, como base para tecer”, diz Takeda. “Pois então, eu vi os fios como uma tela, mas um tipo de tela pré-tecida, primitiva, antiga. Eu também vi cada fio como uma linha do tempo ou da vida de cada pessoa. Então eu comecei a pintar os fios e a escrever neles. Esta obra específica tem uma escrita [sic] que no fundo são os resultados da minha pesquisa entrevistando todos aqueles sobreviventes na América do Norte e do Sul das bombas atômicas [jogadas no Japão durante a Segunda Guerra Mundial]”.

Takeda tem consciência do seu papel internacional e das oportunidades oferecidas por projetos interculturais como a exposição Fronteiras Transpacíficas. “Eu fiquei entusiasmado ao saber que eles estavam dispostos a fazer de tudo para esta exposição; comigo [sic] baseado em Tijuana, senti que o meu papel era servir como uma ponte entre as Américas do Norte e do Sul”.

Em suas diversas viagens, ele observou que culturas distintas podem “ter visões completamente diferentes da realidade—especialmente da realidade política”, como também da maneira de ver as pessoas de descendência japonesa. “Eu acho que é muito difícil generalizar, e é por isso que os curadores da exposição tiveram o cuidado de limitar as regiões geográficas a apenas algumas cidades como a Cidade do México, São Paulo, Lima”, ele diz. “Porque, mesmo no próprio México, Tijuana é totalmente diferente da Cidade do México, e [por esta razão] o modo de ver os japoneses lá também é diferente”.

Takeda prefere comparar o contexto cultural de cidades e não de nações inteiras. “O meu filme de 2008, The Closest Mexico to Japan (lit. “O México Mais Próximo do Japão”), é sobre Kingo Nonaka, o primeiro fotógrafo de Tijuana na década de 20, que era nikkei, e também fala da próspera comunidade japonesa em Tijuana antes da guerra”, Takeda explica. “Onde eu às vezes fico baseado—Dusseldorf, na Alemanha—é um lugar onde tem uma grande comunidade japonesa desde a década de 60. Quando cresci aqui na década de 90, no auge da ‘bolha japonesa’, os japoneses [tomavam conta das] ruas [que eram] todas cheias de lojas japonesas. Isso agora mudou. Nos EUA, eu acredito que os nikkeis são vistos de maneira diferente em São Francisco ou em Los Angeles. O aspecto interessante da imigração japonesa é a sua conexão com o ‘micro-contexto’ local.”

Ele observa que a imigração inevitavelmente resulta em sentimentos complexos e mistos sobre o conceito de identidade, os quais inspiram a sua arte. “A contradição sempre pode ser encontrada no meu trabalho—a tensão entre querer fazer parte e não querer fazer parte de algum grupo. O meu trabalho sempre tem alguma coisa a ver com as tensões entre essas forças opostas que surgem [como resultado] das interseções da história [com o] presente”.

Ao explorar o passado e o presente, Takeda se dá conta que a arte afeta o futuro. Ele nota que projetos de arte internacionais e interculturais podem transcender fronteiras geográficas e culturais de formas que outros tipos de trabalho não conseguem fazer. “Estou começando a incluir as minhas propostas sobre como quero que este mundo seja”

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No domingo, dia 25 de fevereiro de 2018, Shinpei Takeda irá comparecerno Museu Nacional Japonês Americano para conversar com o curador Clemente Hanami sobre representações sociais e contextos culturais através das fronteiras. A conversa será moderada por Selene Preciado, curadora independente e Assistente de Programação na Fundação Getty, e irá incluir uma sessão de perguntas e respostas com o público. Para maiores detalhes, visite janm.org.

 

© 2018 Darryl Mori

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