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Kizuna 2020: Nikkei Kindness and Solidarity During the COVID-19 Pandemic

COVID-19 e seu impacto na vida dos nikkeis brasileiros

COVID-19 e seu impacto na vida dos nikkeis brasileiros
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Como tem ocorrido em outros países, a Covid-19 atingiu o Brasil de forma arrasadora, mostrando aos que nela não acreditavam, a sua malignidade letal.

Em 09 de maio, já foram registrados mais de 10.000 óbitos, com previsão de alcançar números catastróficos nos próximos meses, apesar das medidas de contenção tomadas pelas autoridades sanitárias do país. Adotou-se a quarentena horizontal para tentar combater o mal. Com isso, fecharam-se as portas do comércio e da indústria; proibiu-se a movimentação das pessoas. Apenas, algumas atividades consideradas essenciais continuaram funcionando, como drogarias, padarias, postos de gasolina, supermercados, feiras-livres.

Com os restaurantes, bares, hotéis deixando de funcionar e as feiras-livres atuando de forma precária, ocorreu um curto-circuito de graves consequências em toda a cadeia de produção, desde a agricultura familiar, a avicultura, piscicultura, pecuária, entre outras.

A pandemia alcançou todas as atividades, segmentos e a sociedade em geral. Ricos, pobres, empresários e empregados, aposentados, donas de casa, ninguém foi poupado. 

A comunidade nipo-brasileira, muito concentrada em São Paulo, não passou incólume ao desastre, sofrendo as consequências de diferentes formas.

Na agricultura, onde há ainda uma participação expressiva de nikkeis em atividades produtivas, com seus sítios e chácaras localizadas no chamado cinturão verde em torno  da Capital de São Paulo, e de onde saem as hortaliças, legumes, cereais, frutas, peixes, frangos que abastecem os grandes centros distribuidores, supermercados e feiras-livres, a lamentação e o prejuízo  é geral.

Em Ibiúna, a 70 km. de SP, Yamada-san, 65, foi obrigado a jogar fora 100 caixas de verduras e legumes, porque não tinha para quem vender. Em Mogi das Cruzes, outra cidade perto da Capital, o agricultor Onoe-san, 54, teve que deixar no pé, maduros, quase toda a sua produção de Caqui Rama Forte, por falta de compradores. Em Pilar do Sul, Tanaka-san, 63, teve que reduzir o plantio de hortaliças e mesmo assim está perdendo tudo na roça. “Joguei um monte de mudas fora e mandei parar a produção do viveiro! Tem sido só prejuízo, mas ainda é cedo para fazer as contas, pois a situação só está piorando”, diz ele com expressão de desânimo.

Na região do Vale do Paraíba, onde a participação de floricultores nikkeis é expressiva, a preocupação é geral. Não há demanda para suas lindas flores, como orquídeas, rosas, crisântemos, tulipas, todos elas de vida curta, que precisam ser comercializadas imediatamente. Na semana passada, pelo WhatsApp corriam mensagens desesperadas ofertando vasos de orquídeas, em caixas, a preço de custo, com direito a entrega a domicílio. O mesmo ocorria com shimejis fresquinhos, que era possível adquirir através dessa corrente de solidariedade.

Colheita de Caqui Fuyu

O fruticultor Eiji Enokizono, 50, há anos radicado em Piedade, pôs uso mais uma vez da sua criatividade para minimizar o prejuízo. Alguns anos atrás, passou por fase difícil em consequência da instabilidade do mercado. Naquela oportunidade, buscou no Turismo Rural uma forma de saída para melhor comercialização de suas frutas, como caquis fuyu, pêssegos, morangos, lichias, pitaias, sempre de excelente qualidade. Ao invés de entregar as caixas aos entrepostos de venda, como a CEAGESP e às lojas de conveniência, onde o lucro era menor por causa do custo de intermediação, buscou intensificar a visita de pessoas ao seu sítio, como forma de lazer. Para isso, atraiu os interessados oferecendo um café da manhã caprichado, almoço (bentô variado) e colheita das frutas diretamente do pé. Além da venda das frutas com preços mais vantajosos e recebimento à vista em dinheiro, tinha uma renda extra com o bufê oferecido (café e almoço), além da venda de conservas (rakkyo, shimeji, fukujinzuke, palmito) e verduras e legumes fresquinhos, todos produzidos no sítio.

Eiji e o seu transportador

Com a chegada da Covid-19, entretanto, teve que mudar de estratégia. Com tudo fechado e as pessoas impossibilitadas de sair, falou alto o instinto de sobrevivência e criatividade do fruticultor Eiji: contratou um transportador para entregar a domicílio as encomendas recebidas, aproveitando-se da rede de contato e relacionamento que conseguiu amealhar nos últimos anos. Para o seu alento, está dando resultado!

E, no meio da crise, seu filho Seiji, um futuro chefe de cozinha, chegou com uma outra boa ideia. Incluiu o negócio do pai – o Sítio Enokizono – no Projeto GENKI, que vem a ser uma plataforma de vendas on-line, no sistema delivery, da qual fazem parte outras promissoras empresas da comunidade. Basicamente, os clientes fazem o pedido pela Internet e recebem o produto em casa. De comida a produtos hortifrúti, com toda a comodidade e qualidade. Mais um canal de venda! É o agricultor ingressando na era da modernidade, da tecnologia.

Caqui Fuyu devidamente embalado

Como era previsível, o isolamento imposto pela pandemia está tendo um impacto muito grande na cidade de São Paulo, metrópole com muitas desigualdades sociais. A população carente, os mais necessitados, passam por muita privação nesse momento. Felizmente, a sensibilidade e a solidariedade surgem em vários cantos da cidade. Louve-se aqui a iniciativa do “Movimento Água no Feijão” levando comida para quem mais necessita, encabeçada pela chef Telma Shiraishi, uma das mais renomadas profissionais da cozinha japonesa no Brasil. Ela e diversas ONGs ligadas à comunidade japonesa em São Paulo se uniram para desenvolver um programa de alimentação para a população mais carente das periferias da Capital durante o período de maior agravamento da crise em São Paulo, com o objetivo de complementar as diversas outras ações em andamento, promovidas pelas entidades públicas e privadas.

Distribuindo marmitas aos necessitados (Arquivo T. Shiraishi)

Está previsto o fornecimento de 300 a 400 marmitas por dia, durante os 7 dias da semana, utilizando a estrutura física e operacional do Restaurante Aizomê de propriedade da chef Telma. É um ponto positivo a destacar.

A se lamentar, porém, é a informação do cancelamento, em decorrência da quarentena, da tradicional Cerimônia de Entrega de Certificado aos Homenageados que completaram 99 anos (Hakujusha Hyosho), promovida anualmente pelo Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa. Um ritual de profundo significado para os pioneiros e seus familiares. O pesar se torna maior ainda porque Aiko Higuchi, minha querida mãe, seria uma das homenageadas este ano. Ela fará 100 anos em janeiro de 2021.

Percebemos, num primeiro olhar, que os cidadãos nikkeis residentes neste Brasil abençoado, talvez pela cultura e pelos valores recebidos de seus antepassados, nos quais pontificam a disciplina, o respeito, a determinação, estão sabendo enfrentar o difícil momento, com muita serenidade e bravura.

É indubitável que a epidemia da Covid-19 não durará para sempre. Ela passará! Um dia, passará!  Deixando sequelas inesquecíveis, sem dúvida. Assim como as histórias de heroísmo e superação. Não deveremos, nunca, perder a fé na capacidade humana de superar as adversidades.

 

© 2020 Katsuo Higuchi

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About this series

In Japanese, kizuna means strong emotional bonds. In 2011, we invited our global Nikkei community to contribute to a special series about how Nikkei communities reacted to and supported Japan following the Tohoku earthquake and tsunami. Now, we would like to bring together stories about how Nikkei families and communities are being impacted by, and responding and adjusting to this world crisis.

If you would like to participate, please see our submission guidelines. We welcome submissions in English, Japanese, Spanish, and/or Portuguese, and are seeking diverse stories from around the world. We hope that these stories will help to connect us, creating a time capsule of responses and perspectives from our global Nima-kai community for the future.

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Although many events around the world have been cancelled due to the COVID-19 pandemic, we have noticed that many new online only events are being organized. Since they are online, anyone can participate from anywhere in the world. If your Nikkei organization is planning a virtual event, please post it on Discover Nikkei’s Events section! We will also share the events via Twitter @discovernikkei. Hopefully, it will help to connect us in new ways, even as we are all isolated in our homes.