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Nikkei Chronicles #8—Nikkei Heroes: Trailblazers, Role Models, and Inspirations

Heróis: sonho, trabalho e transformação

Oh! Sonhos! Sonhos! Sonhos! Nada está finalizado pela mão humana, principalmente quando ela está doutro lado do mundo. É com essas mãos calejadas pelo tempo, pela história, que o peso da cultura transforma a terra em arte, moldando a argila, religando cada elemento até chegar ao produto final. Tudo parece pronto e acabado. Não, nada disso está terminado até porque cada peça vai ser única e a natureza fará seu retoque final.

As marcas entre o vivido, o presente e o futuro são cada vez mais fortes, elas vêm unidas como um Sísifo ao seu rochedo. Mas esses heróis não estão condenados pelos deuses e, sim, estão no Olimpo. É um Olimpo construído de realidade, sem a simbiose do rochedo, muito embora a dureza das peças de cerâmicas, saídas do forno noborigama, seja comparada a um rochedo, mas elas não impõem aos homens e mulheres que constroem em Cunha uma falta de liberdade ou punição. Cada peça expressa uma unicidade cósmica que se impõe através da liberdade humana de criar e recriar uma arte verdadeira, singela e imponente no seu verdadeiro designer, que encanta o mundo.

É com essa arte que Cunha convive. É com essa arte que ela tem refeito sua história desde 1975, quando um pequeno grupo se instalou no matadouro. Esse local abriu espaço para um time de heróis que desbravaram o barro, dominaram o fogo e a água em cada fornada, trouxeram emprego e esperança. Acordaram um lugar esquecido no tempo e reescreveram a sua história, através de cada peça que segue mundo afora com as marcas das mãos desses heróis.

Então, agora, ofereço a eles a medalha do reconhecimento dentro da nossa história entre o ontem, o hoje e o amanhã. Parabéns, Mieko Ukseki, Mário konish, Toshiyuki Ukeseki, Suenaga e Jardineiro, Marcelo Tokai e a todos que aprenderam a beber água nessa fonte limpa e pura, no meio dessa travessia longa e prazerosa. Essa luta é um altear no tempo que vai e vem medindo seus espaços nos mínimos detalhes. Somos todos gratos pelo fazer saber-se diante do próprio tempo, com essas mãos tão habilidosas.

Cunha, formada por um imenso mar de morros oferece, aos novos moradores do lugar um produto bastante salutar, a argila, com a qualidade necessária para a produção das peças que vão até o forno, depois de muito esmero. Cada ceramista vai impor seu estilo que como uma verdadeira poesia, aos poucos vai se delineando cheia si mesma. Essas peças não ficam prontas só pela vontade dos artesãos, mas combina com a disposição do ar, do material escolhido, da madeira, que aos poucos vai sendo colocada no forno durante a primeira queima e, depois a segunda queima esmaltada que chega a uma temperatura entre 1.300 e 1.400 graus. Um, dois, três dias e a fumaça dá lugar a um céu azul que chega a porre na gente, mas de vez em quando surge no horizonte, mais ao sul, nuvens que mais parecem chumaços de algodão, anunciando chuvas, ou do outro lado onde o vento parece fazer a curva, surge uma serração acompanhada de um vento frio que toca uma garoa intensa e gelada. Tudo o que vivo parece querer se esconder. Enquanto isso as peças descansam no calor do forno à espera do dia da abertura.

Tudo pronto para a grande surpresa. Cada gesto dos artesãos remete a um profundo respeito à mãe natureza, o jeito oriental de fazer, ser e transformar está presente em cada momento. O ajuste é perfeito, o ritmo da hora vem a contento, atropelando a ansiedade e abrindo espaço para um acontecimento que traz em si uma unicidade que suplanta os olhares mais curiosos. Então, o forno é aberto e cada peça que surge aos olhos do público é uma surpresa. Surpresa que atinge o próprio criador que ao moldar as peças e prepará-las em suas etapas até momento final, se encanta com tão rara beleza. E tudo se ajeita no tempo, no espaço, na hora e, melhor se põe diante de si mesmo, abrindo as portas da transformação que do imanente quase chega ao transcendente, valorizando em detalhes o esforço entre o ser, o fazer e a busca do novo no esperado ou inesperado. Isso tudo se resume em viver e ser plenamente, na confiança de um novo lugar com os mesmos ditames de outrora alicerçados na história de ontem, de hoje e de amanhã dando novos ares ao futuro que tudo reserva e nada tem a temer a não ser, ser maior do que o presente que a todos tem sido generoso.

 

© 2019 Oswaldo de Campos Macedo

14 Stars

Nima-kai Favorites

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About this series

The word “hero” can mean different things to different people. For this series, we have explored the idea of a Nikkei hero and what it means to a variety of people. Who is your hero? What is their story? How have they influenced your Nikkei identity or your connection to your Nikkei heritage?

We solicited stories from May to September of 2019, and voting closed on November 15, 2019. We received 32 stories (16 English; 2 Japanese; 11 Spanish; and 3 Portuguese) from individuals in Argentina, Australia, Brazil, Canada, Japan, Mexico, Peru, and the United States.

Here are the selected favorite stories by our Editorial Committee and the Nima-kai. 


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