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PERFIL DO ARTISTA:

Nascido em 1960, em Lima, Peru; vive e trabalha em Lima

Eduardo Tokeshi Eduardo Tokeshi formou-se na Faculdade de Artes da Pontificia Universidad Católica del Perú, em Lima. Seu trabalho, que já foi exposto por toda a América Latina, combina imagística colonial e moderna para se refletir sobre a identidade e o pertencimento. Entre suas exposições em Lima, destacam-se Animales Asociados (Gallery Forum, 2016); Montaña Mágica (Gallery Forum, 2015); El Gran Dibujo (Ricardo Palma Cultural Center, 2015); e Tokeshi: Retrospectiva 1984–2012 (Gallery Germán Krüger, 2012). O artista representou o Peru em inúmeros eventos culturais no exterior, tais como a Bienal de São Paulo e a de Havana.

TRANSCRIÇÃO:

Um velho poeta dos anos 60, César Calvo, dizia que a poesia era como a bengala de um cego. Para mim, a pintura é igual. A bengala não te permite cair, mas muitas vezes você não vê o caminho. Você intui isso – acredita que é assim. Quando você realmente vê o caminho, é uma outra coisa. Viver entre duas culturas, fornece-lhe a fricção necessária para criar arte. 

Há bandeiras que só fazem sentido para mim. Há bandeiras que eu fiz pelo prazer de tirar vantagem do desapego. Mas o que eu sei é que cada bandeira responde ao momento. Essa bandeira – eu jamais conseguiria repetir. Nunca pensaria em fazer algo assim, como fiz naquele momento.

As ditaduras criam grandes artistas, criam grandes movimentos, criam grandes ideias, porque se está trabalhando sob pressão. Você está trabalhando à beira do silêncio. 

Em um núcleo familiar, dominado pelo silêncio, no qual ninguém diz nada ou expressa nada, no qual ninguém expressa que te ama ou que você é querido, ao invés disso, há apenas um silêncio dizendo, “Aceite o que você é. Aceite-nos, seus pais, como somos. E amor, bem, estaremos sempre ao seu lado, mas não espere que digamos isso.” Nossos pais têm essa coisa, esse código do silêncio, em que você tem que intuir seu amor, porque eles foram criados dessa maneira. De fato, talvez uma maneira muito mais extrema. 

Nessa comunidade japonesa onde a ordem, o trabalho, a honra, a dignidade, são palavras maiores, palavras grandes que parecem como uma montanha, que até eu, às vezes, tenho medo de encarar, por muitas vezes, por medo de decepcionar meus pais, essa ideia às vezes me persegue, este código que nos é imposto. 

Muitos de nossa geração viram que podíamos sair, escapar disso e que podíamos prosseguir, nos dedicar a outra coisa, porque há uma quantidade enorme desses pintores que buscaram este trabalho por essa razão, acredito. 

Queremos nos comunicar porque há um vazio, você quer se comunicar ou se expressar, para que os outros possam entender, se não através de você, através de uma pintura, de um filme, de um poema. 

* * * * *

Fronteiras Transpacíficas: a arte da diáspora japonesa em Lima, Los Angeles, Cidade do México e São Paulo está em exibição no Museu Nacional Nipo-Americano de 17 de setembro de 2017 a 25 de fevereiro de 2018. A exposição examina as experiências de artistas de ancestralidade japonesa que nasceram, cresceram ou vivem na América Latina ou em bairros predominantemente latino-americanos no sul da Califórnia. Eduardo Tokeshi é um dos artistas de destaque nessa exposição.

Para mais informações sobre a exposição, visite janm.org/transpacific-borderlands.

Japanese American National Museum 
100 N. Central Ave. 
Los Angeles, CA 90012 
janm.org

*A exposição é parte da Pacific Standard Time LA/LA—uma iniciativa liderada pela Getty Foundation, que explora a arte latino-americana em diálogo com Los Angeles e foi realizada com um patrocínio dessa Fundação. O atual patrocinador da PST/LA/LA é o Bank of America.

JANM — Atualizado em Set 22 2018 10:06 p.m.


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