OHAYO Bom dia

Meus avós vieram do Japão há mais ou menos 100 anos. Eu nasci no Brasil. Por isso, quero servir de “ponte” entre o Brasil e o Japão. O Japão que está arraigado no meu coração é um tesouro que quero guardar para sempre.  E foi movida por esse sentimento profundo que escrevi a presente série.  (Bom dia em japonês é Ohayo)

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Capítulo 17: Outono... Porque é este o caminho

Escrevi “Outono” quando estava terminando minha bolsa de estudos no Japão. Trinta e cinco anos depois, eu fiz a tradução para o japonês e acrescentei a Parte II. E mais recentemente, durante o culto na igreja que frequento, ao ouvir uma passagem da Bíblia, veio-me a inspiração para escrever a Parte III.   

* * *

Caminho coberto de folhas secas
Brilha o lago onde carpas saltitam
Longe a doce melodia da flauta
Sob o velho pinheiro
Escrevo canções de amor

Um dia
O lago há de turvar
Tombará o velho pinheiro
A flauta cessará
Meus versos o ...

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Capítulo 16: Sou de Sampa

Nasci na Maternidade São Paulo, localizada à rua Frei Caneca, no coração de São Paulo.

Quando criancinha, minha mãe me levava para passear nos Jardins do Ipiranga. De vestidinho cor-de-rosa e sombrinha japonesa, as pessoas me viam e diziam: Uma bonequinha japonesa que anda!

Ir à  Casa Nakaya na praça João Mendes era um divertimento! Naquela época havia o bonde chamado “camarão” e viajar nele era uma aventura e tanto! Além disso, essa loja de artigos importados do Japão parecia uma casa da nobreza devido ao ambiente requintado. Eu ficava deslumbrada diante de ...

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Capítulo 15: Minha alegria é escrever

Para mim, escrever é um ato de pura alegria. Ao longo desses anos todos, viver tem sido algo gratificante porque para mim sempre existiu a escrita, motivo maior e incentivo para seguir em frente.

Criancinha ainda, eu vivia rabiscando na parte inferior do guarda-louça de casa. Do lado de dentro, que era para ninguém ficar espiando. Ainda conservo na memória a série de desenhos e garranchos que, para uma criança, certamente teria representado uma porção de histórias espetaculares.

E quem me ensinou as primeiras letras foi meu pai. Eu ainda não estava na ...

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Capítulo 14: Vozes e sons

Poti é um cão japonês
Abana o rabo  Wan wan
Peri nasceu no Brasil
Ele não faz Wan wan
E sim  Au au
Ele só entende Au au

Nyan nyan mia o gato japonês
O galo canta  Koke-ko-koo
No Brasil é diferente
O gato mia  Miau miau
E o galo faz  Co-co-ri-coó
Não é interessante?

As crianças lá do Japão cantam
“O trem  Poppo  poppo
Shuppo shuppo shu-po-pô

No Brasil não é assim
Se não for Piu-í piu-í
Não é trem não

Tic-tac-tic-tac
O relógio trabalha

Também o coração
Tic-tac-tic-tac
Bate ...

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Capítulo 13: Você fala a língua nissei?

Quando estudante eu tive como colega uma garota muito pitoresca.

Ela era filha de japoneses e em casa falava apenas o japonês.

Embora a classe fosse 90% de brasileiros, ela usava palavras em japonês sem o menor constrangimento. “Antá estudou para a prova?”, “Eu não entendi direito ano lição”.

Inicialmente achava que soava estranho, mas a classe toda aceitou naturalmente e, sendo assim, as conversas na hora do intervalo foram ficando cada vez mais divertidas.

Mesmo hoje, toda vez que ouço a palavra anta (você), sem querer começo a rir.

“Erena, como estará ela ...

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