Histórias de Decasséguis

Em 1988 li uma notícia sobre decasségui e logo pensei: “Isto pode dar uma boa história”. Mas nem imaginei que eu mesma pudesse ser a autora dessa história...

Em 1990 terminei meu primeiro livro e na cena final a personagem principal Kimiko parte para o Japão como decasségui. Onze anos depois me pediram para escrever um conto e acabei escolhendo o tema “Decasségui”. 

Em 2008 eu também passei pela experiência de ser decasségui, o que me fez indagar: O que é ser decasségui?Onde é o seu lugar?

Eu pude sentir na pele que o decasségui se situa num universo muito complicado.

Através desta série gostaria de, junto com você, refletir sobre estas questões.

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História nº 23 (Parte II): Bem que eu queria dizer “Não precisa vir, não”

Hiroyuki resolveu contar toda a verdade para Sanae-san. Que quando estava no Brasil, ainda estudante, nasceu-lhe um filho, então foi morar com a mãe da criança até que dois anos depois veio sozinho para o Japão trabalhar.

Sanae-san ouvia calada sem demonstrar raiva. Fazia esforço para não parecer chateada com a situação. Em seguida, ela foi até a cômoda, abriu a gaveta e tirou de dentro uma foto que entregou a Hiroyuki.

- Ele era bolsista do Irã e nós nos conhecemos na universidade. Começamos a namorar, mas, de repente, ele ...

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História nº 23 (Parte I): Bem que eu queria dizer “Não precisa vir, não”

Naquele dia, Hiroyuki desligou o telefone e, por instantes, ficou paralisado.

As palavras de sua mulher que ficara no Brasil soaram estridentes: “Estou chegando aí”. A princípio ele pensou que fosse brincadeira, mas Maria do Rosário falava sério: “Eu não tinha falado antes? Que eu ia atrás até o Japão? Então, chegou essa hora”.

Ele estava confuso. Até então, para ela telefonar de tão longe havia somente um motivo: dinheiro. Sempre querendo mais dinheiro. Mas, desta vez, nem tocou no assunto e, entre risos, contou que tinha arranjado emprego e que ...

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História nº 22 (Parte II): “Gláucia” – por onde ela anda agora?

Parte I >>

Kazue caiu de amores por Jackson, 12 anos mais novo que ela, mas chegou um dia que não suportou mais os maus tratos e pensou em terminar o relacionamento. Era domingo à noite.

Na manhã de segunda-feira, a faxineira entrou no apartamento e encontrou Kazue desmaiada no living e chamou a ambulância.

Kazue foi levada ao hospital e teve de ficar internada devido à gravidade dos ferimentos.  Jackson fugiu no carro novo de Kazue e levando também as joias, o computador e os cartões de crédito dela.

Dois meses depois, o irmão mais velho ...

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História nº 22 (Parte I): “Gláucia” – por onde ela anda agora?

Dizendo que queria ser cabeleireira, Kazue largou os estudos no ensino médio e deixou a cidade onde havia se criado para ir para São Paulo. Lá ficou durante um ano praticando no salão que seu tio administrava, concluiu o curso e conseguiu o certificado de profissional. Depois, ficou trabalhando no mesmo salão.

Certo dia, por sugestão do tio, Kazue participou de um concurso nacional de cabeleireiros e se saiu muito bem, pois foi uma das vencedoras. A partir daí, começou a alimentar sonhos mais altos.

O “Salão da Rosa” que seu tio e ...

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História nº 21: Mitchan e a “Obaatchan do Japão”

Foi num dia depois da passagem do tufão. Manhã quente e abafada, Mitchan estava a caminho da escola com a mochila vermelha nas costas e levando em uma das mãos a garrafinha de água para matar a sede.

Ela não saberia dizer qual calor era pior: do Brasil ou do Japão. Até meio ano antes, ela morava no Brasil, onde nas tardes de sol forte, enquanto as amigas brincavam ao ar livre, ela preferia ficar na varanda lendo aqueles livros de histórias que tanto gostava. E sua Batchan1 fazia um delicioso sorvete de coco ...

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