Histórias de Decasséguis

Em 1988 li uma notícia sobre decasségui e logo pensei: “Isto pode dar uma boa história”. Mas nem imaginei que eu mesma pudesse ser a autora dessa história...

Em 1990 terminei meu primeiro livro e na cena final a personagem principal Kimiko parte para o Japão como decasségui. Onze anos depois me pediram para escrever um conto e acabei escolhendo o tema “Decasségui”. 

Em 2008 eu também passei pela experiência de ser decasségui, o que me fez indagar: O que é ser decasségui?Onde é o seu lugar?

Eu pude sentir na pele que o decasségui se situa num universo muito complicado.

Através desta série gostaria de, junto com você, refletir sobre estas questões.

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História nº 5 (Parte II): Clayto - Uma história de sangue, suor & samba

Parte I >>

E foi pulando de emprego em emprego, de cidade em cidade. Como consequência, foi-se distanciando cada vez mais da família no Brasil. A foto da filhinha de 2 anos ele nem chegou a ver. E quando se deu conta, tinha virado professor de samba! Não que ele tivesse planejado isto, foi tudo puro acaso.

Um dia ele estava aguardando o trem, quando avistou na plataforma do outro lado uma estudante colegial de uniforme azul-marinho, longos cabelos pretos presos nos dois lados, ar sereno, uma graça. Na mesma hora quis se comunicar com ela, gesticulando ...

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História nº 5 (Parte I): Clayto - Uma história de sangue, suor & samba

O menino Clayto até que teve uma infância normal, jogando bola no campinho, levando bronca da professora, machucando-se ao escalar montes, quebrando perna e braço subindo em árvores, torcendo o pé ao fugir correndo depois de roubar manga do quintal do seu Zé.

Mas tudo mudou na vida dele quando estava com 8 anos de idade. Sua mãe foi embora para a terra dela, Pernambuco, levando as 2 filhas menores e deixando “o pestinha” para trás. O pai, que já era chegado numa bebida, começou a beber cada vez mais até cair doente, foi internado ...

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História nº 4: Saudade

Kimiko estava um dia ajudando na mudança do filho, quando encontrou algo inesperado. Dentro de uma gaveta, bem no fundo, estava uma lata. Era uma lata dos “Biscoitos Duchen” que quando criança só podia saborear de vez em quando. Ficou com muitas saudades daquele tempo, mas ela não se lembrava de ter esquecido na casa do filho. Mesmo assim, por que Alex estaria guardando-a com tanto zelo? Ficou curiosa para saber o que a lata continha.

Nisto, o neto Marco veio chamá-la: “Batchan, vamos logo”. Era dia de mudança, então iam todos comer fora ...

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História nº 3: A hora e a vez de Massao

                                                          I

Massao era bem pequeno quando perdeu o pai. Estava trabalhando na lavoura, quando de repente perdeu os sentidos e ali mesmo veio a falecer. Depois, foi com muito sacrifício que a sua mãe criou os 5 filhos, tendo o mais velho e as filhas se casado e  ficando só a mãe e ele, que era o caçula da casa.

A mãe vendia verduras na feira e Massao começou a ajudá-la quando estava com 15 anos. Eram dias felizes que ele ainda guarda na lembrança. A rotina deles era chegar na feira ...

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História nº 2: Kimiko, 24 anos depois

Pois é, lembro que foi em abril de 1988. Eu fazia parte de um grupo de 27 mulheres que ia ao Japão para trabalhar. Pela primeira vez, um grupo de decasséguis só mulheres estava embarcando, então aquilo virou uma grande notícia. Os jornais e a televisão estavam no aeroporto. Um repórter nos entrevistou querendo saber por que estávamos indo para o Japão, mas eu fiquei tão tensa que não deu para falar nada. Mas as colegas, de tão exaltadas, disseram seus motivos claramente que eu fiquei admirada:

- Acontece que no ...

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