Hidemitsu Miyamura

Hidemitsu Miyamura, nascido em 01/01/1944 em Paraguaçu Paulista. Estudou japonês na infância em Apucarana no norte do Estado do Paraná. É engenheiro mecânico formado na Universidade Federal do Paraná. Trabalhou na empresa NEC do Brasil por 34 anos, retirando-se em 2001. Casado com a médica Alice, é pai de Douglas Hidehiro e Érica Hiromi. É autor do livro Kagiri Naku Tookatta Deai (限りなく遠かった出会い) publicado em 2005. Escreve crônicas no São Paulo Shimbun.

Atualizado em janeiro de 2013

culture ja pt

Kagirinaku Tookatta Deai

Lembranças do meu sogro

KUSURI ZUKE  IGAKUNO SHIMPONI  NAKERU OI

Haicai em que o ancião lamenta o excesso de remédio que lhe é prescrito (pelo filho médico) com o avanço da medicina

TSUMA YUKITE  SHIRU KOGARASHINO  TUMETASAWO

Haicai em que o vento gelado faz recordar a esposa que se foi

Estes “Haicais” foram feitos pelo meu sogro Shoji Kamimura, nos seus últimos anos de vida. Ele foi “haicaista”, um hobby cultivado com muito talento, publicado nas colunas especializadas nos jornais de língua japonesa, o São Paulo e o Nikkei Shimbun. Toda vez que eu os lia, parecia ver naqueles ...

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Kagirinaku Tookatta Deai

O Casamento

Outro dia participei da cerimônia de casamento do filho de um meu amigo. A recepção para cerca de 300 convidados que se seguiu ao ato religioso católico foi magnífico e de bom gosto.

O avô desse meu amigo e o meu pai, Suemitsu, falecido em 1995, tiveram no passado, uma profunda relação, e o meu pai devia-lhe muitos favores e constantemente recebia dele muitos conselhos para a vida. Isso, quando meu pai ainda solteiro e exercia a profissão de protético dentário na cidade de Santos. Eu soube disso através de um ...

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Crônicas Nikkeis #2 — Nikkei+ ~Histórias sobre Idiomas, Tradições, Gerações & Raças Miscigenadas~

O kmuti, o nabo e o alho

Fui a Recife a negócio e na volta resolvi visitar um amigo que morava em Brasília. Pensei em levar a ele algo que pudesse agradar e me ocorreu levar Kmuti, coreano que beliscávamos no “drive range” (bate-bolas) de golfe freqüentado pelos nikkeis. Era cerveja, kmuti e suor. Passei numa loja de produtos orientais e comprei kmuti, conserva de nabo em pimenta vermelha e alho descascado.

Quando vi o conjunto, logo vislumbrei o risco e pensei em desistir. O cheiro era forte. Mas, o dono da loja convenceu-me de que cuidaria da embalagem para evitar qualquer transtorno ...

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Kagirinaku Tookatta Deai

O ofurô e o missoshiru

Quando era criança e morava no interior costumava ser chamado por brasileiros de “Ei! Japonês”. Toda vez que era chamado assim, eu me sentia subestimado e um ser estranho deles.

Sinto que essa expressão, tinha um sentido de certo menosprezo pelo Nikkei. Talvez tivesse origem naquela época de término da guerra, em que os japoneses formavam grupos e adotavam costumes estranhos para os brasileiros. Aqui uso o termo “brasileiro” para me referir a toda população não Nikkei. Pode ter origem também, no acentuado sotaque típico incapaz de distinguir o “ele” do “erre ...

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Kagirinaku Tookatta Deai

Missa e funados

É freqüente ver no Brasil, em muitas famílias de origem japonesa, a prática de missas religiosas em memória dos antecedentes falecidos, segundo os ritos mantidos tradicionalmente por gerações. Missas essas celebradas no sétimo dia, quadragésimo nono dia, um ano, três anos, sete anos, treze anos e assim por diante. Os ritos geralmente budistas, são realizados em templos como os do Nishi Hongwanji, Higashi Hongwanji, Jyodo Shinshu, Shingonshu, etc. dependendo das respectivas linhas budistas a que pertencem.

Os templos são tão diversos que requerem uma boa checagem prévia sob pena ...

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