Heriete Setsuko Shimabukuro Takeda

Heriete Setsuko Shimabukuro Takeda, 61 anos, descendente de okinawanos, nasceu e vive na cidade de São Paulo. Casada e mãe de dois filhos. Aposentada, usa a escrita para resgatar memórias e ter horizontes.

Atualizado em outubro de 2018

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Crônicas Nikkeis #7 — Raízes Nikkeis: Mergulhando no Nosso Patrimônio Cultural

Atravessando o mundo

“O origami é um meio de comunicação e expressão, uma linguagem universal que une diferentes gerações e povos em torno de uma mesma atividade.”

— Mari Kanegae

Toshi veio para o Brasil num pássaro de papel.

Quando sua neta, nascida na tão longínqua cidade de Londrina, foi até o Japão para conhecê-la, ela se deu conta de que teria que renunciar às palavras para conversar com a pequena menina. Dobrou um tsuru. Certamente não imaginava que o laço que ali nascia atravessaria os oceanos e o tempo.

Mais de duas décadas ...

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Crônicas Nikkeis #6 — Itadakimasu 2! Um Novo Gostinho da Cultura Nikkei

Sopa de couve

Quando Geró foi contratada para cozinhar para a minha família não fazia idéia da revolução que iria  causar nas nossas vidas. Mineira, cozinheira de “mão cheia” (como ela mesma se apresentou), chegou com planos de agradar a todos com suas receitas maravilhosas. Deparou-se com minha mãe, que era quase despudorada quando o assunto era determinar  cardápios.

A situação merece um breve histórico.

Éramos nove, então. Pai, mãe, seis filhas e um ajudante bem forte. Mais do que uma família, formávamos uma equipe de trabalho de um pequeno ...

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Crônicas Nikkeis #5 — Nikkei-go: O Idioma da Família, Comunidade e Cultura

Gaijin

Eu não conseguia entender minha amiga Emília. Levei-a para passar as férias na casa da minha avó, em Santos, com a esperança de que ela fizesse uso dos seus conhecimentos da língua japonesa, já que eu não possuía quase nenhum. Ou, nenhum mesmo.

Mas depois de alguns minutos de conversa, ela me chama de lado e desfere: Não entendo o que a sua avó fala!

- Como assim? Você me disse que sabia falar japonês!

- Eu sei, mas não entendo nada do que ela fala!

Emilia tinha razão: minha av ...

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