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Futebolistas Nikkeis: Histórias por trás da bola - Parte 2

O time Sporting Cristal reuniu Jorge “Koki” Hirano, Pedrito Ruiz e Emilio Murakami. Crédito: Sporting Cristal.

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Se entre os anos 50 e 80 os sobrenomes nikkeis alegraram os fãs do futebol no Peru, nas décadas seguintes esta onda de entusiasmo se espalhou para outros países. E como no caso dos irmãos Iwasaki, outra história de irmãos nikkeis seria reprisada. Não faltaram sobrenomes de origem oriental entre os 16 times, aos quais foi reduzido o torneio [entre as equipes peruanas da primeira divisão] que passou a ser chamado de Descentralizado após as competições nos campeonatos regionais e no [torneio] metropolitano.

Quando “Koki” Hirano viajou para jogar no Japão em 1980, ele foi acompanhado pelo atacante Emilio Murakami. Dois anos mais tarde, eles se reencontrariam em campo vestindo a camisa azul celeste do Sporting Cristal, com o qual ganharam o título em 1983, juntos ao então já veterano Pedrito Ruiz, de 36 anos, que continuou a jogar até os 40 anos. Nos anos seguintes, este clube voltaria a aplaudir jogadores de descendência japonesa.

Essa era a época quando o Deportivo AELU estava se despedindo daprimeira divisão depois de três anos na mais alta categoria profissional. Apesar disso, muitos dos seus jogadores nikkeis entraram para outros clubes, tanto no Peru quanto no exterior, com grande sucesso. Héctor Takayama Tohara, por exemplo, passou por várias equipes de nível médio antes de viajar para o Japão, onde jogou pelo Tosu Futures em 1995, e depois pelo FC Jazz da Finlândia. Outros conseguiram se destacar na primeira divisão e, partindo daí, continuaram suas carreiras fora do país.

Nostalgia esportiva

Jerry Tamashiro jogou com vários times do Peru. Nos Estados Unidos, ele continuou sua carreira como técnico. Crédito: Arquivo pessoal de Jerry Tamashiro.

Os anos 90 foram anos turvos para o futebol e para o Peru por causa do terrorismo; ainda assim, cada época traz consigo suas boas lembranças. Naquela década, Jerry Tamashiro foi um dos que animaram os torneios locais, primeiro jogando no Universitario de Deportes e depois no Deportivo Municipal e no Alianza Lima, antes de continuar sua carreira nos Estados Unidos, com o MLS Miami Fusion em 1998, ao lado do ídolo colombiano Carlos “El Pibe” Valderrama e outros latinos.

Sem dúvida, o seu futuro se encontrava naquele país. Foi lá que teve início a sua formação como técnico; desde então, já fazem 12 anos que ele treina as categorias juvenis, tendo passado pelo America, Conquist America e Real Laguna, além de ganhar alguns títulos na Califórnia e a nível regional1. Atualmente, Jerry também trabalha como caça-talentos para a seleção americana. “Aqui o interesse pelo futebol juvenil – de garotos e garotas – está superando aquele pelo baseball e pelo futebol americano”, diz ele.

Os primos Edwin Uehara, com a camisa do Universitario de Deportes, e Leonardo Uehara, com a camisa do La Loretana, durante um jogo amistoso. Crédito: Arquivo pessoal de Leonardo Uehara.

Outros nikkeis, como o Leonardo Uehara La Serna (primo dos irmãos Uehara Kaneku), também se destacaram naquela década. “El Charapa” [apelido do jogador Hernán Rengifo, se referindo à sua origem na região amazônica do Peru] não apenasjogou com La Loretana, time da sua região, mas também no Universitario de Deportes e no FBC Melgar de Arequipa, entre outros, chegando a seleção da Copa América de 1997. Também desse período são os irmãos Soria e José Pereda Maruyama, que vestiram a camisa do Peru.

Os nikkeis do Cristal

No time de Rímac [bairro de Lima], conhecido como Sporting Cristal, entrariam vários jogadores de sangue oriental. O primeiro foi Roberto Salazar Shimabukuro (Lima, 1973), surgido no [Deportivo] AELU, com o qual havia sido artilheiro na segunda divisão e que chegou a disputar a Copa Libertadores. Neste mesmo clube entraram, no ano 2000, os irmãos Javier e David Soria Yoshinari.

A esquerda de Javier, estreada no Deportivo AELU, o levou à primeira divisão em 1998, no Alianza Atlético de Sullana. Seus bom desempenho teve como resultado um contrato com o Sporting Cristal em 2000, ano no qual ele iria se juntar ao seu irmão David, que havia começado sua carreira no Japão, no Consadole Sapporo, e que jogou no time azul celeste [Sporting Cristal] por sete anos, se tornando campeão com eles em 2000 e 2005.

Javier chegou a jogar com José “Chino” Pereda na Copa América em 1999 (durante a qual, curiosamente, enfrentaram o Japão, que foi país convidado), enquanto que David disputou um jogo pré-olímpico e a fase das eliminatórias na Copa do Mundo de 2002, entre a Coréia e o Japão. No time peruano, Pereda era um dos titulares recorrentes no meio-campo, e principalmente quando veio o convite para se juntar ao clube Atlético Boca Juniors da Argentina, com o qual ganhou seis títulos.

O campeão “Chino”

José “Chino” Pereda Maruyama jogou na seleção nacional e no Boca Juniors da Argentina. Crédito: DelGol.com  

Considerado o jogador nikkei mais bem-sucedido, José Pereda nasceu em Brena, o bairro de onde surgiu o time Universitario de Deportes. Foi lá queele começou a jogar futebol aos 12 anos, tornando-se campeão com o primeiro time em 1992 e 1993, apesar de não tercompetido em nenhum torneio. Com poucas oportunidades para jogar, ele decidiu se juntar ao [clube de esportes] Lawn Tennis e depois ao [time] Cienciano de Cusco, onde seu bom desempenho lhe permitiu retornar ao “U” [Universitario de Deportes] em 1996.

Em 1998, o Universitario de Deportes voltou a ser campeão nacional, tendo Pereda entre seus titulares habituais. Uma surpresa ocorreu naquele mesmo ano, quando ele foi contratado pelo Boca Juniors, tradicional time argentino que não ganhava o título da primeira divisão desde 1992. Contando com o “Chino”, o time venceu três torneios nacionais entre 1998 e 2000, além de duas Copas Libertadores e uma Copa Intercontinental, disputada no Japão, frente ao poderoso Real Madrid.

Apesar de Pereda não ter sido titular durante os quatro anos que jogou em um dos melhores times do futebol argentino de todos os tempos, ele chegou a disputar 36 jogos (25 deles desde o início). Com a seleção peruana, participou em duas eliminatórias da Copa do Mundo e em uma Copa América, marcando quatro gols pelo Peru. Em 2002, ele voltou ao “U” para dar continuação à sua série de vitórias, vencendo o Torneio Apertura daquele ano. Ele se aposentou em 2009 e atualmente é diretor técnico juvenil.

“O Samurai” branco e azul

Se na década de 90 o Universitario de Deportes e o Sporting Cristal dominaram os torneios locais, com cinco e quatro títulos, respectivamente, na primeira década do século XXI o Alianza Lima foi o clube número um, vencendo quatro campeonatos. Naqueles anos, um jogador dedefesa proveniente do Deportivo Municipal se destacou no time de camisa branca e azul, no qual jogou por nove anos. Ernesto Arakaki Arakaki se formou no AELU, mas é identificado com o clube [Alianza Lima] do distrito de La Victoria [em Lima].

Ele integrou a Seleção Sub-20, mas seu melhor desempenho foi com o Alianza Lima, time com o qual marcou vários gols. Ele fez parte da equipe tetra-campeã na década (2001, 2003, 2004 e 2006) e disputou vários torneios internacionais (Libertadores, Merconorte e Sul-Americana). Ele se aposentou do futebol em 2010, com apenas 30 anos, devido a um ferimento, mas retornou em 2013 ao time que carrega no coração para trabalhar com jogadores infanto-juvenis.

Depois de estudar para se tornar técnico, fundar uma academia e fazer mestrado em gestão de esportes, “O Samurai”, como era conhecido na sua época de jogador, se juntou ao clube Esther Grande de Bentín e depois foi assistente técnico da Seleção Sub-17. Atualmente, é gerente das divisões juvenis do Alianza Lima. “É difícil encontrar no Peru gente com vocação para a formação [no futebol]; no exterior, eles começam aos oito anos”, ele disse numa entrevista2.

Novos nomes, novos desafios

Na última década, novos nomes nikkeis entraram em campo defendendo diversos times do Peru, especialmente nas províncias. Juan Carlos Nakaya, César Goya, Manuel Ugaz Nemotto e Christian Laura Senaga são alguns deles. Um caso especial é o de um nikkei nascido na Colômbia, mas de pai peruano, que iniciou sua carreira no Esther Grande de Bentín e que chegou às divisões juvenis do Universitario de Deportes.

Chamam Mario Kazuma Tajima (Bogotá, 1993) de “Gokú”. Ele joga no meio-campo e em 2012 fez parte do “time bege” [Universitario de Deportes] que ganhou a Copa Libertadores da América Sub-20, realizada no Peru. Da mesma geração é Oshiro Takeuchi Bambarén, que estreou no Alianza Lima, jogando em seguida no Juan Aurich e no León de Huánuco. Recentemente, apareceram nas categorias juvenis novos ases nikkeis que conseguiram chegar às seleções juvenis e de quem se espera uma consolidação que os leve a maiores desafios.

Pedro Ynamine Kitano (categoria 1998) defendeu o Sport Boys na segunda divisão e o clube da Universidade de San Martín de Porres. Coincidentemente, neste últimotime o goleiro teve como companheiro Hideyoshi Arakaki Chinen, atacante da mesma idade com quem  jogou nas divisões Sub-15 e Sub-17 do Peru. Arakaki fez parte do time que ganhou o campeonato sul-americano Sub-15 em 20133, no qual marcou três gols (dois contra a Argentina e um contra o Chile durante as semi-finais).

Atualmente, o capitão do time Sub-15 é Anthony Aoki Nakama (categoria 2000), que jogou com o AELU e o Sporting Cristal. O volante é titular no meio-campo ao lado de Mauricio Matzuda Gusukuda do Esther Grande de Bentín. Eles aguardam a sua chance de competir na primeira divisão e poderatingir a fama para que sejam adicionados à crescente lista de nikkeis cujas histórias se desenrolam por trás da bola.

A seleção peruana da divisão Sub-15, com Anthony Aoki como capitão e Mauricio Matzuda Gusukuda. Crédito: Federação Peruana de Futebol.  

 

Notas:

1. Jerry Tamashiro (Inglês)
2. “El cambio generacional debe hacerse de a pocos” [VÍDEO]
3. El camino hacia el título: así fue la campaña del Perú campeón Sub 15

 

© 2017 Javier García Wong-Kit

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