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Projeto Yama

Introdução ao Projeto Yama

Este projeto é um documentário sobre uma comunidade nipo-brasileira agrícola e artística chamada Comunidade Yuba. A fazenda é localizada numa região rural agrícola na parte oeste do estado de São Paulo, e é o lar de várias famílias interligadas. Seus setenta membros incluem desde recém-nascidos da quarta geração até imigrantes nikkeis da primeira geração, agora na casa dos 90 anos de idade. Conhecida pela suas encenações natalinas anuais e pelo seu grupo de dança, a Comunidade Yuba acolhe calorosamente visitantes durante todo o ano. Fundada em 1935 pelo imigrante não-conformista Isamu Yuba, que partiu da cidade japonesa de Kobe nos anos 20, a fazenda é sustentada por três princípios: viver do cultivo da terra, fazer orações diárias e tomar parte em atividades artísticas. O fotógrafo Scott Smith de Charlottesville, na Virgínia, e a escritora Janet Ikeda de Lexington, também na Virgínia, fizeram juntos sua primeira viagem de “descobrimento” à Fazenda Yuba em dezembro de 2002.

Lição de aritmética (Foto por Scott Smith)

Em Yama, que é como os residentes da Comunidade Yuba chamam o seu lar, existe uma notável falta de separação entre o trabalho e a arte. Como isto acontece é uma questão que estimula o projeto. Todos em Yama poderiam ser chamados de “artistas”, “atores”, “cantores” ou “músicos”. Um “espírito amador” parece formar a base da sua prática. Uma carreira profissional ou lucrativa parece ser fortemente desencorajada. Apesar dos forasteiros se referirem à comunidade como uma forma de “utopia”, os residentes de Yama seriam os primeiros a discordar desta percepção equivocada. Problemas, de natureza tanto financeira quanto social, são inerentes à comunidade. Viver à beira da bancarrota faz parte da rotina da comunidade há cinquenta anos.

Uma vibrante comunidade nikkei, Yama preserva muitos costumes do Japão. Antes de atingir a idade escolar, as crianças aprendem japonês como sua língua materna. Na fazenda, aulas em japonês estimulam a leitura e a escrita. É só quando as crianças entram para o jardim de infância brasileiro que elas aprendem português como seu segundo idioma. Conversas do dia-a-dia e avisos públicos são em japonês. Os tipos de mídia mais acessíveis na comunidade são jornais, livros e revistas em japonês, como também transmissões televisivas diárias do Japão. Alguns membros da comunidade são casados com pessoas nascidas no Japão que descobriram a fazenda pela primeira vez durante suas viagens, e que eventualmente se mudaram para Yama.

Mas Yama não existe apenas para preservar o idioma e os costumes japoneses. A comunidade também se orgulha de sua herança brasileira. Eles dão as boas-vindas a visitantes de todo o mundo. A culinária, a música e festivais brasileiros foram incorporados à vida da fazenda. No bufê da cozinha, ao lado de uma diversidade de petiscos japoneses—incluindo tofu fresquinho, picles ao estilo japonês, furikake feito na própria fazenda—são encontrados pratos típicos brasileiros como arroz com feijão.

A fascinação do fotógrafo Scott Smith por esta comunidade teve início após seu encontro com um descendente de Yuba nos E.U.A. Este homem passava a maior parte do seu tempo fazendo violinos numa oficina dentro de um porão mal iluminado. Ao descobrir que ele não visava lucro, mas sim enviar os instrumentos feitos a mão para as crianças da comunidade, Smith quis descobrir a razão do intenso foco daquele indivíduo. Sem saber o que esperar, a primeira impressão de Smith foi a de uma comunidade “mergulhada em arte”. Seu treinamento profissional como artista, arquiteto e fotógrafo o inspirou a embarcar numa viagem até o local. Naquela primeira viagem à Comunidade Yuba, ele ficou impressionado com a onipresença das artes, a conexão entre o trabalho e as apresentações artísticas, e a maneira inusitada que as crianças são criadas—com ênfase na criação artística, enquanto que o consumo é deixado em segundo plano. Através das fotos amadoras de Yuba, Smith sentiu que aquela comunidade pioneira incomum estava usando impulsos artísticos como um fertilizante para cultivar e colher os frutos do espírito humano.

Workshop de Instrumentos de Corda (Foto por Scott Smith)

Para a escritora Ikeda, este projeto é um exemplo de como a voz literária migra e se transforma. A comunidade Yuba do Brasil é um panorama étnico único onde as culturas, o trabalho, as artes, e múltiplas gerações novas e antigas, brasileiras e japonesas, se mesclam de forma harmoniosa. Ikeda ficou entusiasmada em traçar a trajetória do impulso poético do haiku, partindo do Japão até o Brasil. A Comunidade Yuba é permeada por uma energia cinética de poesia que não pode ser vista com os olhos. No entanto, ela pode ser sentida quando olhamos para aquelas mãos calejadas e enrugadas. Seu eco pode ser ouvido nas conversas das pessoas que vivem e morrem juntas há duas gerações.

O projeto é resultado do interesse mútuo de Ikeda e Smith por modos alternativos de educação e de vida. A vida em Yama pareceu corresponder à sua própria visão de um estilo de vida familiar—uma maneira significativa de combinar os afazeres do dia-a-dia com as artes. Para este projeto, tanto o fotógrafo quanto a escritora começaram com uma pergunta que, depois de terem viajado juntos, levou a várias respostas através de fotos e do haiku. Um dos princípios artísticos básicos que irá caracterizar a apresentação deste projeto na sua forma final é a noção estética por trás do que é conhecido na arte tradicional japonesa como haiga ou pinturas-haiku. Em muitas artes japonesas, a integração e a justaposição de textos com imagens é deslocada por uma distinta preferência pela disjunção, fragmentação e estratificação de significados. Como um haiku bem feito, a imagem e o texto irão desafiar e prender a atenção com o propósito de refletir a manifestação viva dos ideais de Yuba. Ikeda e Smith planejam produzir um retrato único de Yama através de um trabalho composto de imagens, vozes, e texto. O resultado da sua primeira viagem culminou numa exposição de Smith no Centro de Artes McGuffey em Charlottesville, na Virgínia. Ikeda e Smith planejam apresentar uma exposição de maior porte nos E.U.A. e no exterior, e produzir um livro de fotos, haiku e um ensaio escrito sobre Yama.

Akiko Ohara escrevendo a palavra YAMA (Foto por Scott Smith)

* Para ver o álbum de fotos do Projeto Yama (Inglês) >>

* “Yama: Uma comunidade nikkei no Brasil”, um artigo de Janet Ikeda>>

* Comunidade Yuba (Japonês): http://brasil-ya.com/yuba/index.html

*Scott Smith é um fotógrafo freelance em Charlottesville, na Virgínia. Janet Ikeda ensina a literatura e o idioma japoneses na Universidade Washington e Lee em Lexington, na Virgínia.

© 2004 Janet Ikeda

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