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A Coluna de Koji

O ESPÍRITO NIKKEI

Eu me lembro que quando criança eu já sabia que não tinha “cara de americano” e por essa razão eu às vezes também não me sentia “americano”. Como uma “pessoa de cor” vivendo nos Estados Unidos, esta verdade era evidente mesmo sem ninguém nunca ter dito isso na minha cara. E uma parte de mim sempre se sentiu como se eu fosse um japonês que apenas morava nos Estados Unidos. Foi por isso que fiquei tão empolgado em visitar o Japão pela primeira vez com minha família quando eu tinha sete anos. Eu acreditava (ou talvez eu esperasse) que finalmente encontraria uma identidade (JAPONÊS em letras maiúsculas e em negrito) com a qual eu pudesse me associar.

O Japão acabou se tornando um grande desapontamento. Logo que cheguei, foi fácil ver que eu NÃO era japonês. Minha maneira de falar. Minha maneira de vestir. Minha maneira de pensar. Até mesmo minha maneira de andar na rua. Tudo isso apontava para uma identidade que não era japonesa. Na verdade, eu me comportava mais como um americano.

Isso virou um grande problema. Se nos Estados Unidos eu me sentia japonês e se no Japão eu me sentia americano, isso queria dizer que não havia um lugar onde eu pudesse me sentir completamente íntegro. Nos últimos 20 anos, eu tentei acreditar que o país iria mudar. Que as pessoas nos Estados Unidos finalmente iriam me aceitar (já que eu não tinha a menor esperança que as pessoas no Japão fosse me aceitar como um deles).

Tudo isso mudou nos últimos dez dias. Eu fui convidado para tomar parte na Rede de Jovens Nikkei (NYN, “Nikkei Youth Network”), o primeiro congresso de jovens nikkeis no Japão. (“Nikkei” significa pessoas de descendência japonesa morando fora do Japão.) A missão do NYN é de proporcionar oportunidades de desenvolvimento para permitir que jovens em todo o mundo criem os próximos 100 anos da história nikkei através do Kizuna. (“Kizuna” quer dizer “irmandade”.) O NYN reuniu líderes jovens nikkeis de todo o mundo. Havia representantes do Peru, El Salvador, Brasil, Argentina e, é claro, dos Estados Unidos.

O objetivo do congresso era o compartilhamento das experiências dos nikkeis e a disseminação de empolgantes projetos de jovens (entre 18 e 40 anos) e idéias de outros nikkeis morando no Japão e em outras partes do mundo. Me pediram para fazer uma apresentação Pecha Kucha – uma apresentação intensa com um máximo de 20 PowerPoint slides e apenas 20 segundos por slide, ou seja, seis minutos e 20 segundos para que cada apresentador exponha sua narrativa ou idéia inovadora à audiência.

Meu Pecha Kucha enfocou a evolução da comunidade nipo-americana e como ela é relacionada à minha carreira de cineasta. Meu objetivo era educar outros nikkeis sobre a história dos nipo-americanos e a situação atual dos yonsei (quarta geração). Para muitos, foi a primeira vez que ouviram falar do que aconteceu com os nipo-americanos durante a Segunda Guerra Mundial e/ou foi a primeira vez que compreenderam os efeitos dos campos de concentração sobre nossa comunidade.

Assista a sua apresentação Pecha Kucha >>

Admito que no início foi estranho ver pessoas com os meus traços físicos que não falavam nem japonês nem inglês, mas espanhol! (Apesar de que estou ciente que devo ter soado estranho para eles com meu sotaque californiano!) No entanto, logo se tornou evidente que todos nós compartilhávamos de muito mais elementos em comum do que parecia inicialmente.

Os nikkeis não americanos disseram que não se sentiam realmente japoneses e que nem tampouco eram “aceitos” no seu próprio país ... especialmente em tempos de guerra ou crises econômicas. Eles falaram sobre racismo, medo e ódio que tiveram que enfrentar às vezes abertamente e outras vezes burbulhando logo abaixo da superfície da sociedade. Algumas vezes suas experiências foram piores que as dos nipo-americanos e outras vezes elas não foram tão ruins, mas todos eles passaram por alguma coisa com a qual eu podia me relacionar.

Apesar de serem de vários lugares diferentes, estas pessoas e eu compartilhávamos de um elo real – uma irmandade que nunca encontrei fora das comunidades nipo-americanas, asiáticas, ou de descendentes dos povos das ilhas do Pacífico. Mas ao contrário dessas comunidades, este elo era parte de algo maior. Algo verdadeiramente mundial.

Após todos esses anos, eu finalmente encontrei um lar. Eu não sou japonês. Eu não sou americano. Eu sou NIKKEI. Pode soar como coisa meio boba, mas não me importo porque me sinto bem em ter um lar. E só agora que tenho um é que me dei conta do quanto me sentia sozinho antigamente. 

Assim sendo, a minha mensagem para os meus companheiros nipo-americanos é que temos irmãos e irmãs em outras partes do mundo. Existem tantas coisas que podemos aprender com eles (por exemplo: a comunidade brasileira parece unida e firme como acredito era a comunidade nipo-americana antes de ser encarcerada) e existem também coisas que podemos ensiná-los. É hora de nos juntar a eles para formarmos uma identidade nikkei verdadeiramente mundial. 

Eu devo um grande “obrigado” à Rede de Jovens Nikkeis (especialmente ao Akira) por ter me mostrado o verdadeiro espírito nikkei kizuna. Para maiores informações sobre o NYN e o excelente trabalho que eles vêm fazendo, visite www.nikkeiyouth.com.

Assista o vídeo oficial do CONGRESSO NYN JAPÃO 2010 >>

© 2010 Koji Steven Sakai

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Sobre esta série

"A coluna de Koji" é uma série de colunas contribuída pelo membro da equipe do Japanese American National Museum, Koji Steven Sakai. Sua coluna explora a identidade e cultura nikkeis do ponto de vista de um homem de segunda e quarta geração nipo-americana do sul da Califórnia.