A vida da família num campo de internamento de nipo-canadenses em Slocan (Inglês)

Minha relação com meu paiv (Inglês) A vida da família num campo de internamento de nipo-canadenses em Slocan (Inglês)

Transcrições disponíveis nas seguintes línguas:

(Inglês) E*: O que você se lembra da evacuação? Bom, não foi uma idéia das melhores, mas uma razão para nós termos nos casado tão cedo foi porque meu pai sabia que ele teria que ir embora porque ele era cidadão japonês. Então meu marido e eu, nós estávamos namorando naquela época, e ele [meu pai?] disse que queria que a gente se casasse porque então pelo menos teria alguém para tomar conta da família. Isso foi logo depois de Pearl Harbor. Nós ficamos noivos, e nos casamos em 23 de janeiro. E meu pai foi levado em março. Mas como você sabe, as coisas mudaram e todos os homens tiveram que ir. Quer dizer, só ficaram minha mãe, eu e minha irmã. Nós continuamos a morar na pensão até que nós tivemos que ser evacuadas. [Interrupção] Mas logo depois, Hide Hyoshu virou a Sra. Shimizu, a supervisora das escolas, e ela me perguntou se eu gostaria de ser professora. Isso era uma coisa que nunca teria passado na minha cabeça, mas ela...ela me deixou escolher entre o nível um e o nível três. Então eu disse, “Tá, eu fico com o nível três”. E ela disse, “Ah, não. Você vai ficar com o nível um”. A Hide era assim. Mas foi uma experiência maravilhosa. [Interrupção] E: E o que aconteceu com as suas propriedades em Vancouver? O meu pai tinha um...o que eles chamavam de um “bloco”. Ele tinha um hotel, e tinha um restaurante em baixo e duas barbearias. Mas tudo isso, ele teve que vender por uma miséria porque...Bom, o governo disse que ia tomar conta do que ele tinha, mas até parece que eles iam realmente fazer isso. E: Então você se casou logo antes da guerra começar, ou logo quando a guerra estava começando, antes da evacuação. Foi. A gente se casou em janeiro, e então, lá para março todo mundo estava indo embora. Então a gente pensou: “Bom, é melhor a gente se livrar de tudo que for possível porque não podemos levar nossas coisas conosco”. Então a gente teve que vender a mobília. Os cartões de casamento ainda estavam nas gavetas, e as pessoas que vieram comprar a mobília, eles começavam a chorar quando viam os cartões. Você sabe como é, nós estávamos sendo forçados a deixar tudo para trás. Mas não tinha outro jeito...nenhuma maneira de conseguir escapar. Eu tenho certeza de que isso aconteceu com um montão de outras pessoas. E: Então você foi reunida com seu marido em Slocan. Foi lá que vocês deram início à sua família? Eu já estava grávida quando nós fomos embora de Vancouver – isso foi mais ou menos em agosto. O bebê não estava muito desenvolvido, mas eu acho que o inverno rigoroso e a situação... E: Você poderia descrever como era a sua vida familiar em Slocan, em um campo de internamento? Em Slocan? Todo mundo estava no mesmo barco, você sabe como é. Por isso não tinha esse tipo de competição para ver quem tinha mais ou menos. Todo mundo tentava ajudar uns aos outros, e, claro, todos os japoneses tinham jardins – eles cultivavam vegetais, o que fosse. De um certa forma, era ótimo. Nós tínhamos tempo para ter aulas de vários estilos de culinária japonesa, de arranjos florais, e eu acho que no todo...Bom, nós estávamos casados e por isso a gente não saía, mas para os jovens era divertido porque eles tinham um montão de amigos, e não havia muito o que fazer a não ser se divertir. A gente conseguiu se virar, mas nós tínhamos só um...como se fosse uma cabana que a gente compartilhava. Nós éramos duas famílias, então a gente pôde compartilhar a cabana. Em alguns casos, havia duas famílias diferentes morando juntas. [Interrupção] E: E quantas pessoas moravam em cada cabana? Em cada cabana? Bom, essas cabanas...Bom, eu diria que do nosso lado, devia ter umas oito pessoas morando lá. Tinha cinco no nosso, e tinha duas famílias na cabana do lado. Mas também tinha um alojamento para os homens solteiros, e depois eles pensaram em construir uma escola para nós. E aquilo demorou um tempo. Assim que nós começamos a dar aulas na escola, nós tínhamos que fazer nossos alunos marchar até Bay Farm – eu trabalhava meio turno na escola – e então eu fazia com que eles marchassem de volta para casa. Às vezes...Eu dava aula no nível um, então às vezes a gente sentava debaixo de uma macieira e era divertido. Ou às vezes a gente ia passear no bosque, colher maçãs. Mas as crianças eram ótimas; elas queriam tanto aprender. Muitas destas famílias tinham vindo de comunidades japonesas, e por isso as crianças não falavam inglês. Mas isso não era um empecilho para elas. * “E” representa o entrevistador (Teri Yamada).

Data: 21 de Outubro de 2004
Localização Geográfica: Toronto, Canadá
Interviewer: Terry Yamada
Contributed by: Sedai, the Japanese Canadian Legacy Project, Japanese Canadian Cultural Center

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