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Pesquisa da Embaixada revela opinião dos brasileiros sobre o Japão?

No mês de abril, a Embaixada do Japão no Brasil divulgou os resultados da pesquisa de Opinião Pública sobre o Japão no Brasil, assinalando que os brasileiros são muito favoráveis a um aprofundamento das relações entre os dois países. Entre os fatores que contribuem para essa avaliação, podem ser citados os fatos de que o relacionamento nipo-brasileiro ser considerado amistoso, do Japão ser um país que pode colaborar para o aprimoramento tecnológico no país e também porque os brasileiros avaliam que os descendentes, ao longo dos 100 anos de presença no país, contribuem para o desenvolvimento do país.

A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas a 1008 pessoas dos estados de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, durante o mês de janeiro deste ano, pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE). Essa pesquisa traz resultados muito interessantes sobre a imagem que os brasileiros têm do Japão, dos japoneses e de seus descendentes no Brasil. Por exemplo, mostra que a sociedade brasileira tem muita simpatia e admiração pelo país do sol nascente.

De fato, se analisarmos o relacionamento entre os dois países, poder-se-ia citar que pelo menos desde a década de 1970, quando chegaram importantes empresas e investimentos japoneses ao Brasil, já havia admiração pelo sucesso econômico do país asiático. Foi um período de intensa entrada de capital do Japão no país, prova disso é que, pelos dados do Banco Central do Brasil, no período de 1971 a 1979 o volume total de investimentos diretos estrangeiros (IDE) japonês no Brasil chegou a US$ 1,50 bilhão, o que representava 60,9% do estoque de investido por esse país até 2000 (US$ 2,47 bilhões).

Desde esse período a simpatia é interesse brasileiro pelo país do sol nascente parece ser crescente. Nos anos da década de 1980 o Japão ampliava sua posição de destaque econômico internacional e ai não só o crescimento econômico do país, mas as empresas e seus modos de administração eram vistos com grande admiração. Esse interesse refletiu, por exemplo, na busca de implementação de técnicas empresarias japonesas pelas empresas brasileiras como just-in-time, sistema kanban, entre outros.

Ainda nos anos 1980, com a crise econômica brasileira, que apresentava altas taxas de inflação e muitas dificuldades econômicas, a veneração pelo Japão vai fazer com que descendentes de japoneses passassem a buscar oportunidades de trabalho nas terras de seus ancestrais, dando origem ao que ficou conhecido como fenômeno decasségui. Esse fluxo de pessoas do Brasil ao Japão seguiu com significativo dinamismo ao longo dos anos da década de 1990.

Atualmente, o número de brasileiros trabalhando no Japão já supera os 300 mil, contribuindo para ampliar os laços entre os dois países. Se no século passado o Brasil foi o local visto como o Eldorado para imigrantes japoneses e, juntamente com seus descendentes, ajudaram a construir o Brasil, que é hoje a décima maior economia do mundo com um PIB de cerca de US$ 1,3 trilhão. Nos últimos anos, é o Japão que tem sido o Eldorado, pelos menos aos brasileiros descendentes, e estes também têm sido importantes ao Japão, pois têm contribuído com os seus suores para que a economia japonesa se revitalize. O Japão é hoje um dos países com menores índices de taxa de natalidade no mundo e, por isso, a mão-de-obra tem se tornado um bem escasso nesse país.

A pesquisa, portanto, apontar a simpatia e admiração do povo brasileiro pelo japonês, sinaliza que as relações entre os dois países continuarão prosseguindo e se aprofundando, pois condições há condições favoráveis para isso. Neste momento, não é apenas a admiração da sociedade civil brasileira pelo Japão, aliás, os japoneses também têm demonstrado muito simpatia e admiração pelo Brasil, mas interesses convergentes entre os dois países estão presentes.

Há interesses convergentes nas áreas sociais, na área econômica pela relação comercial que têm crescido, pelo desenvolvimento de energias que sejam alternativas ao dos derivados de petróleo, no campo político internacional pelo mútuo desejo de ingressar no Conselho de Segurança da ONU. E a pesquisa ressalta que 75 dos entrevistados consideram que o Japão deve ter um assento permanente.

Bem a pesquisa permite muitas outras considerações, mas em resumo pode-se concluir que ela sinaliza positivamente para o aprofundamento e a intensificação das relações nipo-brasileiras.

 

* Associação Brasileira de Estudos Japoneses (ABEJ), afiliada ao Descubra Nikkei, contribui com este artigo para a Descubra Nikkei. ABEJ é uma organização sem fins lucrativos que congrega professores e pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento sobre o Japão, especialistas,estudantes e pessoas interessadas em questões japonesas.

© 2008 Alexandre Ratsuo Uehara