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Desenvolvimento econômico e estruturas empresariais: aprendendo com o Japão e seus vizinhos

No mês de maio, em Brasília, foi feito o lançamento o livro Negócios com Japão, Coréia do Sul e China escrito por Gilmar Masiero, professor de administração da Universidade de Brasilia (UNB). O livro, que aborda os temas do desenvolvimento econômico, aspectos administrativos e empresariais e as relações diplomáticas e comerciais com o Brasil, faz uma importante contribuição para apresentação das três mais importantes economias asiáticas da atualidade. Segundo o comentário da professora Eliana Cardoso, professora titular da Fundação Getúlio Vargas (FGV): “Se você procurava uma introdução ao Japão, China e Coréia do Sul, encontrou o livro certo. Masiero discorre sobre a história e a sociedade desses países e descreve as estruturas empresariais peculiares a cada um deles: os grandes grupos japoneses (Keiretsus), os chaebols coreanos e as TVEs chinesas. As relações econômicas com o Brasil também estão presentes.”

Como foi destacado pela professora Cardoso, o livro vai além dos aspectos administrativos e apresenta um detalhado histórico do desenvolvimento econômico de cada um desses países, focando no período do pós Segunda Guerra Mundial. O livro analisa também fatores importantes para o crescimento econômico nipônico, coreano e chinês, os quais contribuíram para constituir a região do mundo com maior dinamismo econômico da atualidade. De acordo com dados do relatório World Economic Outlook de 2007, produzido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o Japão e a China estiveram entre as cinco maiores economias do mundo em 2006, respectivamente, com um PIB de US$ 4,37 trilhões e US$ 2,63 trilhões, e a Coréia do Sul com um PIB de US$ 888,27 bilhões ficou com a 12a posição.

Fonte: World Economic Outlook Database, April 2007. Disponível em: World Economic Outlook Database, April 2007. Disponível em: http://www.imf.org. Acessado em 10/Mai/07

 

A performance das economias asiáticas - China, novos países industrializados (NICs) e países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ANSEA) - chama ainda mais a atenção quando se avalia a taxa média de crescimento, que foi de 9,4% em 2006 de acordo com o relatório World Economic Outlook 2007. Esse índice de crescimento foi bem superior a taxa média da economia mundial de 5,4%, a dos EUA de 3,3%, a da área do Euro de 2,6% e a do Japão 2,2%.

Esses dados ilustram a importância do livro que insere no contexto da experiência de crescimento econômico do Japão, Coréia do Sul e China, também as peculiaridades do desenvolvimento da estrutura empresarial e de administração nesses países. Nesse segundo abordagem têm-se a formação dos keiretsu japoneses, dos chaebols coreanos e das township and village enterprises (TVEs) chinesas, estruturas empresariais que produziram “empresas manufatureiras como Toyota, Honda, Mitsubishi, Samsung, Hyundai, LG, Lenovo, Haier, Huawei, entre muitas outras [...] presentes em todos os principais mercados do mundo” (Masiero, 2007, p.338).

Esses resultados positivos, obtidos pelos países asiáticos, têm atraído a atenção mundial e estimulado constantes avaliações sobre as suas performances. Contudo, no Brasil, há escassez de material sobre esse assunto, principalmente em português, o que coloca o livro ainda mais em destaque. Além disso afirma Masiero, apesar de seculares, as relações do Brasil com os países asiáticos nunca foram enfatizadas ao longo de todo período republicano. Por exemplo, as relações econômico-comerciais nipo-brasileiras ainda são tímidas, apesar de em 2008 ser comemorado o centenário da imigração japonesa ao Brasil. De acordo com os dados estatísticos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, no ano de 2006, as exportações do Brasil ao Japão representaram apenas 2,83% do total das exportações brasileiras para o mundo. E avaliando-se pela ótica do comércio exterior do Japão, o Brasil representou somente cerca de 0,5% do total das suas importações.
A leitura do livro Negócios com Japão, Coréia do Sul e China permite não só o (re)conhecimento das experiências de sucesso dos países asiáticos, mas também a observância de algumas lições, como, por exemplo, o fato de que “a formação da mão-de-obra no Japão, na Coréia do Sul e, em certa medida, na China, desde as reformas de 1978, tem estado mais orientada para a assimilição e inovação de tecnologias que para as ciências básicas ou humanas em geral. É possível que a experiência desses países possa ilustrar como os sistemas educacionais devam ser desenhados para atender as necessidades cada vez mais dinâmicas das grandes corporações que atuam no mercado internacional” (Masiero, 2007, p.336).

Enfim o livro consegue combinar diversas informações estatísticas, históricas e acadêmicas de forma precisa, associando teses acadêmicas e notícias atualizadas que tornam a leitura informativa, muito agradável e instigante.

 

* Associação Brasileira de Estudos Japoneses (ABEJ), afiliada ao Descubra Nikkei, contribui com este artigo para a Descubra Nikkei. ABEJ é uma organização sem fins lucrativos que congrega professores e pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento sobre o Japão, especialistas,estudantes e pessoas interessadas em questões japonesas. 

© 2007 Alexandre Ratsuo Uehara