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Capítulo 5: Lembranças de Hiroshima

Quando cheguei na estação de trem de Hiroshima, senti-me realizada por estar ali. Há muito tempo, guardava a vontade de conhecer essa região histórica e surpreendente do Japão.  Hoje, depois de ter conhecido, relembro com admiração e respeito tudo que senti e vi naquele lugar.  Claro que Hiroshima já voltou a ser uma cidade desenvolvida, mas o fato de ter passado por uma tragédia caracterizará para sempre o local. Quem ouve falar de Hiroshima, logo se recorda da primeira bomba atômica, apelidada de “Little Boy ”.
 

Castelo de Hiroshima

O famoso Castelo de Hiroshima foi totalmente destruído pela bomba atirada pelos Estados Unidos. O castelo foi reconstruído em 1958 e é um dos principais pontos turísticos em Hiroshima.

O alvo da bomba era a ponte Aioi, em formato de “T”, que foi então submetida a uma pressão de 7 toneladas por metro quadrado – 15 vezes mais que o normal. Reconstruída, a ponte situa-se a 160 metros do antigo Centro de Promoção Industrial da Prefeitura de Hiroshima. Este prédio agora é chamado por Atomic Bomb Dome ou Genbaku Dome. Foi um dos poucos prédios que sobraram imediatamente após o bombardeio, pois sua arquitetura foi feita já se pensando em casos de terremotos. A estrutura é preservada e protegida pela UNESCO como patrimônio da humanidade em memória da devastação que ocorreu e é um símbolo de esperança de paz mundial e eliminação das armas nucleares do mundo. É emocionante ver pombas e outros pássaros pousando em sua estrutura, ao mesmo tempo em que olhamos os destroços em volta das ruínas.  

A-Bomb Dome

Espantei-me com a riqueza de informações mantidas no Museu Memorial da Paz de Hiroshima. É possível imaginar com detalhes a tragédia que aconteceu às 08h15m do dia 6 de agosto de 1945, já que o ambiente propicia uma imersão nos fatos da época. Existem vídeos com depoimentos de sobreviventes, cenários simulando a situação da cidade após a bomba, informações sobre bombas atômicas e sobre países que mantêm testes nucleares. Há explicações sobre fatos posteriores à explosão (chuva ácida, sofrimento, doenças genéticas), maquetes da cidade antes e depois da bomba, objetos diversos como garrafas derretidas, fotografias, relógios parados no horário do bombardeio, telhas e outros objetos pessoais. 

Painel fotográfico do Museu mostrando a destruição da cidade

Durante a visita ao Museu, não é raro ver visitantes enxugando as lágrimas. Após o ataque, os sobreviventes da bomba vagaram pela cidade entre destroços e corpos no chão, sem saber direito o que havia acontecido.  Suas peles desprendiam-se, tufos de cabelo caíam e tinham queimaduras graves por todo o corpo. Lembrando que, três dias depois, Nagasaki também sofreu com outra bomba.

Monumento das Crianças para a Paz, cercado por tsurus

No Parque Memorial da Paz, há diversos monumentos apelando pela paz mundial e em homenagem aos falecidos. Um dos mais visitados é o Monumento das Crianças para a Paz, em memória às crianças vítimas da bomba. Ao seu redor, encontram-se dobraduras de pássaros vindas de todas partes do Japão e do mundo, chamadas de tsuru, que remetem à história de Sadako Sasaki, uma menina que sobreviveu à bomba, mas adoeceu após alguns anos por leucemia e morreu, embora tenha acreditado que sobreviveria se conseguisse dobrar mil tsurus . No Parque, também há um sino de mais de uma tonelada, o Sino da Paz, que pode ser tocado pelos visitantes a favor da paz.

No centro do Parque, foi construído um cenotáfio em 1952, como iniciativa de reconstruir Hiroshima como cidade dedicada à paz. Olhando através de seu arco, conseguimos ver no horizonte, as ruínas do A-Bomb Dome e a Chama da Paz, mantida acesa desde 1964 e que permanecerá acesa até que a ameaça de bombas nucleares desapareça completamente da Terra. No arco do monumento, pode-se ler a frase: “Que todas as almas repousem aqui em paz, pois jamais repetiremos este mal. ” Abaixo do arco, uma pedra grande retangular guarda o registro de todas as vítimas diretas ou em consequência da exposição às radiações. No Memorial Hall, é possível consultar os nomes dos falecidos informando os sobrenomes no sistema multimídia. 

Assim, Hiroshima é considerada a “cidade da paz”, mas não deixa de ser um lugar com movimento urbano como outra qualquer e atrai muitos turistas e estudiosos do mundo todo, sendo um ótimo pólo cultural.

Depois de ver tantas imagens tristes e de reflexão, vale a pena um passeio por Miyajima, uma ilha em frente à cidade de Hiroshima.  A ilha é considerada sagrada e famosa por seu torii , que é um portão de entrada de templos feito de madeira. Ele é vermelho e fica no oceano, portanto apresenta alguns desgastes. Quando a maré está alta, temos a impressão de que ele está flutuando. Quando a maré está baixa, conseguimos chegar mais perto para admirá-lo e tirar fotos do Santuário Itsukushima, que fica em frente e também foi construído sobre a areia.

Miyajima

Neste Santuário estava ocorrendo um casamento às 08h30m da manhã. Pensei comigo: “Puxa, acorda-se cedo no Japão até para festividades”. Quando estava indo embora da ilha, cerca de 13h, reparei como a ilha ficou repleta de turistas. Foi então que entendi o motivo de um casamento tão cedo – evitar o tumulto do turismo.

Na ilha é possível aproximar-se dos veados, que já estão acostumados com os turistas e aproximam-se querendo comida. Chegam até a xeretar as sacolas apoiadas em bancos, enquanto os turistas tiram fotos.

Falando em comidas, um doce típico de Miyajima é o Momiji manju, um bolinho recheado feito em formato de folha da árvore chamada momiji , a mais apreciada no outono, já que nessa época suas cores vão do amarelo a vermelho. É o chamado kouyou .

Em Hiroshima, o prato famoso é o okonomiyaki . Okonomi significa escolha, preferência. Yaki significa grelhado ou frito. Então o nome do prato quer dizer cozinhar aquilo que você gosta, da maneira que você deseja. É um tipo de pizza bem fina com camadas de repolho, bacon , broto de feijão, itens opcionais (lula, polvo, queijo, etc.), macarrão frito, ovo frito e regado com um molho especial. Um tanto calórico, mas imperdível.

Visitar Hiroshima pode ser um tanto desgastante e não muito agradável emocionalmente, mas é uma experiência incrível e ao meu ver, necessária. Faz qualquer turista voltar para sua casa com um conhecimento a mais, com uma reflexão a mais e por que não, com uma lição de superação.

Notes:
1. Cenotáfio é um memorial fúnebre construído para homenagear uma pessoa ou um grupo de pessoas cujos restos mortais estão em outro local ou em local desconhecido.

© 2009 Silvia Lumy Akioka

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Sobre esta serie

Mis abuelos por parte de madre dejaron su tierra natal en Japón, Fukuoka, en busca de una vida mejor en Brasil. Como miles de otros inmigrantes, sacrificaron mucho y les debemos nuestro cómodo estilo de vida y los valores transmitidos de generación en generación. Es con mi más profundo agradecimiento que describo en esta serie la oportunidad que tuve de vivir como estudiante en Fukuoka.

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Acerca del Autor

Silvia Lumy Akioka es una sansei brasileña. Fue dekasegui a los 17 años, y en otra ocasión, fue estudiante de intercambio en la prefectura de Fukuoka, cuando publicó la serie " El año de un brasileño en el mundo " (sólo en portugués) - fue su primer contacto con Discover Nikkei. . Es una admiradora de la cultura japonesa y también le gusta escribir blogs sobre otros temas. Estuvo en Los Ángeles como voluntaria para Discover Nikkei en abril de 2012 y ha sido consultora oficial del proyecto durante 6 años.

Actualizado en febrero de 2019

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